BIDI – PARTE 2 – Q/R – Outubro de 2017


BIDI - Parte 2 - Q/R - 15 de Outubro de 2017
Mensagem de 15 de outubro de 2017 (publicada em 24 de outubro)
Origem francesa – recebida do site Les Transformations


Áudio da Leitura da Mensagem em Português - por Noemia
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Eh bem Bidi está com vocês, e vos saúda. Antes de trocar, nós vamos nos acolher no silêncio.

… Silêncio…
Nós podemos agora começar. Eu te escuto.

Questão : acolher, é deixar a Vida viver-se em mim ?
A partir do instante em que você acolhe, na acepção maior dessa palavra, necessariamente a Vida se vive.  Você é a Vida e não mais tua vida, tua história.  O Acolhimento é um estado de recepção, sem condição, de tudo o que aparece, de tudo o que desaparece, com o mesmo equilíbrio, levando-o de maneira fulgurante ou em todo caso rápida a constatar e a realizar que é nessa condição de teu ser que você se reencontra. E isso não pode ser um esforço, nem uma vontade, nem um desejo, é algo que se produz desde o instante em que você cessa, como eu disse, todo processo, qualquer que seja, de projeção.
Isso efetivamente permite instalar com evidência o santo dos santos, ali onde nada se passa, ali onde nada aparece nem desaparece, ali onde tudo é imutável, fazendo-o reunir-se  então ao centro da roda que observa todos os movimentos, participa de todos os movimentos, e no entanto não é o movimento. É, eu diria, um estado particular da consciência que não atua mais, mas se mantém ali e observa o jogo, qualquer que seja sua potência. É essa observação do jogo que deixa desaparecer o que não é eterno e vem, de algum modo, magnificar tua Presença que confina à Ausência. É sair do jogo, não por um movimento, não por uma falta ou uma negação, mas justamente pela imobilidade do Acolhimento.
Essa imobilidade do Acolhimento não concerne aos movimentos de vosso corpo nem de vosso mental, mas antes de tudo à cessação do jogo, à cessação da apropriação ou da projeção, e bem evidentemente, no Acolhimento, você realiza que você não é tua vida que está limitada, mas que você é a Vida, aqui como em outros lugares, como por toda parte.  É passar da periferia ao centro, do movimento da consciência à sua fixidez, e isso, independente de tua vida. É reunir-se ao centro, ao meio, que permite todos os movimentos harmoniosos ao redor do centro.  Em um segundo tempo, esse centro ele mesmo desaparecerá, te levando a reencontrar que você não é mais o meio que a própria roda, mas que você é anterior a todo movimento, a todo tempo e a todo espaço. Aí instala-se o êxtase, a felicidade, a plenitude, um estado de repouso, de silêncio, onde nada tem necessidade de aparecer concernente à pessoa.  A Vida se desdobra, não mais desde o centro da pessoa, mas desde o santo dos santos.
Retenham bem que jamais é questão de esforço a fornecer nem de trabalho.  É justamente a cessação de todo esforço e de todo trabalho que deixa aparecer o que sempre esteve aí e que estava mascarado ao teu ponto de vista, à tua vista e à tua consciência comum, pelo movimento da vida, da tua vida.  Substituindo o movimento de tua vida pelo movimento da Vida, você constata então sua impecabilidade, sua imobilidade, sua persistência, e sobretudo, em meio ao teu efêmero que você tem a viver, o elemento que domina é a Paz, a Alegria e o Silêncio. O que quer que se desenrole na tela da tua vida comum, é sublimado pela Vida e portanto pelo Amor, pois toda vida é Amor.  Nenhuma vida, mesmo aqui nesta terra, é possível sem amor.
O Amor é de algum modo o combustível, da vida, da experiência, da consciência.  Ele se traduz pela Luz, não aquela que vocês veem mas aquela que é vivida.  Nesse momento, você poderá constatar que nenhum elemento saliente pode apagar ou diminuir a Vida que é, tornando-o então disponível em cada ocasião, em cada olhar, em cada palavra, estar disponível para a Verdade, o Verdadeiro, o verídico, constatando então que o que é natural não depende de qualquer vontade, de qualquer disposição, de qualquer organização ou de qualquer relação.
Então nesse momento, você se vê e se sente como a Vida, quer dizer livre, quaisquer que sejam os limites e as contingências próprias e inerentes a esse corpo e a esse mundo.  Todavia, em vossa linguagem ocidental, a palavra « Acolhimento » é fundamental, visto que se há o Acolhimento, certamente sem condição e sem restrição, então efetivamente a Vida te vive, então efetivamente a Paz, o Silêncio, a leveza da Alegria, do êxtase, tornam-se, mesmo neste mundo efêmero, permanentes.  Nada pode destruir, ocultar, diminuir o que é reencontrado, dando-te então a sorrir ao que estava presente antes que você se encontrasse, levando-o a sorrir em qualquer evento que se desenrole, sorrir à Vida independente do que vocês nomeiam o confinamento.
Constatar vossa condição efêmera neste mundo sem fazer apelo a qualquer elucubração concernente ao passado, ao karma, à pessoa, às religiões, aos movimentos espirituais, deixando tudo passar e tudo se apagar. Resta somente a joia, o que você é.  E lembre-se que isso não é exclusivo, mas inclusivo. Tanto a pessoa, a história, é exclusiva, tanto o Amor, esse santo dos santos, é inclusivo, vindo magnificar toda forma de resistência, toda forma de sofrimento, ou toda forma de negação do que é a vida.
Nesse momento, vocês não estão mais submissos às crenças, aos pensamentos, às egrégoras, aos movimentos, às religiões. Vocês reencontraram vossa verdadeira autonomia e aí também, o marcador disso é a Alegria perpétua, a Paz perpétua.  Essa Alegria sem objeto, sem objetivo, sem reação, é o melhor testemunho de vosso estado natural. Não há nada a acrescentar mas simplesmente deixar evacuar-se justamente tudo o que foi acrescentado desde que vocês tomaram consciência que vocês são um indivíduo, na idade de quatro anos.
Tudo o que foi acumulado, como alegrias e como dores efêmeras, tudo o que foi aprendido, tudo o que foi amado, condicionalmente, de uma certa maneira se escoa. Sempre há nisso uma forma de lembrança, de memória, mas esse gênero de lembrança e de memória não pode de maneira nenhuma vir alterar o natural que vocês reencontraram. É assim que se para toda busca, é assim que efetivamente você é a Vida e não mais tua vida exclusiva, você entra na inclusão.
A primeira etapa é neti-neti, nem isto, nem aquilo, até que você descobre que é também isto e aquilo, mas isso não pode em caso algum perturbar, alterar, desviar, diminuir o que você é. Se o que você é além deste mundo transparece e se reencontra, então mesmo esse sentimento de ser, o famoso « Eu sou Um » desaparecerá por ele mesmo, a partir do instante em que você não retém nada, a partir do instante em que você aceita que mesmo o « Eu sou Um » é apenas uma projeção da consciência, desde o santo dos santos.  Então você constata nesse momento que nada pode vir  abalar, modificar a tranquilidade e a Paz, deixando livre curso à iluminação disso, à radiância disso, quer dizer o Amor e a Luz verdadeira, não aquela que ilumina as formas, que ilumina a sociedade, que ilumina os dias, pois nesse momento o dia é permanente, não há mais alternância, não há mais oscilações, tudo permanece estável, em equilíbrio dinâmico, pela ação da Inteligência da Luz e pela ação da Graça.
O personagem, a história, a pessoa, é acessório, e é efetivamente um acessório de manifestação da consciência neste mundo, mas este mundo não pode mais alterar, não pode mais falsificar, não pode mais enredar.  Você não tem mais então necessidade de resistir, de opor-se, de confrontar-se ao mundo ou à tua história, mas somente deixar fluir a vida e a vida flui assim até o teu último sopro.  Isso então permitirá a você, o momento vindo, que é ou o momento de tua morte, ou o momento que vos é anunciado pelos Anciãos, o luto não será mais um luto mas uma libertação, o sentimento de perda será preenchido além de qualquer medida pela Verdade e o Verdadeiro, por esse estado natural.
Eu disse também, a leveza será onipresente, em qualquer palavra que seja pronunciada, em qualquer encontro que seja conduzido, em qualquer relação que seja pra viver. Tudo o que faz o lado contrariado da pessoa através da sucessão dos eventos felizes ou infelizes, comuns a toda vida, não deixarão nenhuma marca, nenhuma cicatriz, e não permitirão nenhum desvio desse estado natural.
É necessário também rememorar que quando vocês reencontram o que vocês sempre foram, há uma mudança radical, assim como eu exprimi com a roda e seu centro, e isso se vive a cada minuto, a cada ação, a cada noite, a cada manhã, há uma permanência em meio ao efêmero.  É essa permanência da pessoa, do humor, das atividades, dos pensamentos, que muda radicalmente, sem esforço, sem compreendê-lo, sem buscá-lo, sem reivindicá-lo. Assim é a majestade do Brahman em encarnação.  Assim a tela de vossa cena de teatro se ilumina, eu diria, como nunca, dando-vos a ver através das palavras, através dos atos de cada um como do conjunto do mundo, e isso não pode ser confundido com outra coisa, mesmo com o Si.
Lembrem-se, vocês se reencontram. Tendo se encontrado, vocês constatam imediatamente que isso não pode desaparecer, não pode ser ocultado novamente.  Nesse sentido, esse Acolhimento não é nada mais do que uma restituição à vossa integridade, não aquela da pessoa através de qualquer moralidade, mas a integridade de vossa eternidade.  Nesse momento, vocês vivem intimamente que vocês são a origem do mundo, que vocês são a origem de toda consciência, de toda forma, de toda dimensão, e que vocês foram traídos pela distinção das formas.  Vocês veem então este mundo como um sonho coletivo, não há nenhuma substância.  Apesar de sua densidade, apesar do confinamento, ele é irreal, e aí, não se trata somente de um ponto de vista da consciência mas da realidade da consciência, anterior a toda forma, conduzindo-vos à anterioridade da consciência ou à fonte da consciência. E ali, vocês são aquele que conhece, vocês são a Verdade.
Em contrapartida, vocês veem também que tudo o que era antes é falso, e tudo o que era antes tinha sua própria dinâmica de sofrimento, de sentimento de perda, de alternância de alegria e de tristeza que são comuns a toda vida neste mundo.  É impossível enganarem-se uma vez que, lembrem-se, vocês reencontram o que vocês sempre foram, e vocês veem vosso personagem e vossa vida que é simplesmente algo que é da ordem do sonho, que não é tangível e que no entanto não é ilusório.  É real, mas esse real aparece e desaparece, é nomeado a realidade, mas essa realidade não poderá jamais vos contentar, é impossível, pois faltará o essencial : reencontrar-se.
Devido às circunstâncias temporais deste mundo, o Acolhimento torna-se cada vez mais fácil, mas na condição de não colocar na frente, ou atrás, nenhuma suposição, nenhum objetivo, nenhum desejo, nenhuma barreira. Esse Acolhimento é portanto sem condição, dando-vos a ver que vocês não têm nada a parar, nada a crer, e em definitivo, vocês deixam a experiência desenrolar-se, mas vocês não são a experiência, e vocês constatam que essa experiência da vida que se desenrola em meio à pessoa é cada vez mais leve.  A vida da própria pessoa se acalma, sem explicação, sem causalidade, vocês efetivamente se reencontraram em todos os sentidos do termo.
É o momento em que a Vida, como você colocou como questão, toma o passo sobre tua vida. E quando a Vida toma o passo sobre tua vida, você se torna vivo, a morte não tem mais controle sobre você, o mundo não tem mais nenhum controle ou marca sobre você, nenhum laço pode permanecer, resta somente a liberdade do Amor livremente consentido, livremente emanado, livremente vivido. Não há nenhuma redução ou nenhuma ampliação desse amor, ele é igual, distribuído de maneira natural como o sol o faz, sem distinção de homem, de mulher, de status social.  A Luz é a mesma para o bandido como para o santo, é o uso que é feito que é diferente.
Abordemos uma segunda questão.

Questão : em qual momento nasce o corpo de Existência ?
A questão não estipula se é o que se poderia nomear «  o princípio » que jamais teve lugar. Nesse caso, o corpo de Existência é único, qualquer que seja a consciência, qualquer que seja a dimensão, é um veículo universal.  Não há nenhuma diferença na estrutura mesmo do corpo de Existência, há somente as colorações que são tomadas por esse corpo em função do quadro no qual esse corpo de Existência entra em manifestação.  O veículo jamais será você, um veículo é um meio de transporte, esse transporte não se faz apenas no tempo e no espaço mas ele se realiza antes de tudo além do tempo e do espaço, de experiência em experiência, mas vocês não são proprietários das experiências quaisquer que elas sejam, mesmo neste mundo.  Vocês são a soma de todas as experiências. Isso não pode ser concebido em vossa cabeça, isso pode ser apenas provado no coração.
Vocês não têm necessidade de morrer para isso, vocês não têm necessidade de renascer, não mais, mas efetivamente, como vos foi dito, tornar-se como uma criança, é reencontrar a inocência de antes dos quatro anos, antes que o condicionamento familiar de educação, da sociedade, faça sua obra de divisão. É por isso que eu sempre vos disse para recuar vossas lembranças, não para elucidar o que quer que seja ou resolver o que quer que seja, mas para reencontrar o que vocês eram antes que a individualidade se apreendesse de vocês. O que não é um retorno ao passado de vossa história mas uma forma de retornar à evidência.
Em resumo, qualquer que seja a dimensão, qualquer que seja o quadro de expressão da consciência, não há senão um corpo de Existência.  Tudo é Um. Qualquer que seja a multiplicidade aparente das dimensões, das formas, não há aspecto fragmentário ou parcial. Sendo o meio da roda, vocês são também toda a roda em manifestação, mas vocês são anteriores à toda manifestação, à toda consciência.  É o fato de reencontrar isso que, aqui neste mundo, vos libera, vos faz viver a Alegria, esse estado natural que é vossa natureza, vossa essência, a cada um de nós, onde quer que nós estejamos, qualquer que seja a denominação da forma.  Que vocês sejam Maria, Arcanjo, Bidi ou o pior dos assassinos não muda nada em verdade.  Isso não é um conceito, isso não é alguma coisa à qual é necessário crer ou aderir, mas é uma vivência.  Quando isso é vivido não há mais nenhum espaço possível para a fragmentação, para a ideia de ser uma pessoa, para a ideia de ter uma família, um marido ou uma mulher.  Vocês veem realmente e concretamente os jogos da consciência, mas sendo liberados, vocês não têm mais necessidade da consciência uma vez que vocês são a fonte da consciência, a fonte do corpo de Existência, e mesmo bem antes dessa fonte.
O Acolhimento, hoje, permite o que permitiu para alguns de vocês a refutação e a Onda da Vida, o Sharam Amrita do início de 2012.  As circunstâncias são diferentes.  A reconscientização do corpo de Existência, sobre o qual muitos de vocês trabalharam, se posso dizer, tornou possível a presença do corpo de Existência, idêntico para cada um, para a totalidade das consciências da terra. Esse Acolhimento permite doravante não mais haver necessidade de empreender qualquer trabalho que seja, o observador está cada vez mais presente.  Esse observador é também um espectador e não um ator, levando-vos a ver, como eu disse há alguns anos, a constatar que não há nem ator, nem espectador, nem teatro, que vocês estão a montante disso, mesmo se vocês atuam nisso.  Nenhum conceito pode levá-los à Liberdade. Assim que há definição em meio a uma forma, em meio a uma dimensão, há jogo, mas a diferença da livre expressão da consciência com a expressão da consciência neste mundo tem-se ao esquecimento.
Desde o instante em que o indivíduo aparece neste mundo, o que acontece, eu vos lembro, alguns anos após o aparecimento do bebê, então, como vocês dizem em vossa língua, está fodido, vocês são apanhados, vocês se conformam ao que o sonho comum vos pede e vocês tomam o sonho pela realidade vos fixando os objetivos.  Quer eles sejam amorosos, quer eles sejam espirituais não muda nada, o objetivo é sempre uma projeção. Não há senão quando os objetivos são erradicados por eles mesmos, porque eles são vistos pelo que eles são, que vocês se reencontram e que vocês estão livres, com os testemunhos dos quais eu falei : a Alegria, a Paz, a permanência de vosso humor.  Vocês não têm necessidade de nenhum referencial nem mesmo de um modelo, vos é necessário serem descascados de todos os atributos da forma, de todos os atributos da sociedade, mas lembrem-se que vocês não têm de fugir de nada. O erro seria acreditar que é necessário reunir um movimento, um grupo, uma religião, escutar alguém.  Não há mestre, não há superior, não há hierarquia, tudo isso, são as tolices que são muito atrativas em todas as espiritualidades no momento atual.
O que resta do Advaita Vedanta hoje ? Releiam, se isso vos interessa, Shankara. Mergulhem nos escritos extremamente antigos, não Shankara, vocês vão traduzir por um personagem recente, mas eu quero falar dos pais, se posso dizer, do Advaita Vedanta. Onde vocês voltem vossas leituras, que seja na Caxemira, que seja na Índia antiga, no Budismo primordial, no Taoismo, nas palavras simples do Cristo e não nas religiões, eles exprimiram cada um à sua maneira a Verdade, mas falar da Verdade não vos tornará jamais verdadeiros. Seguir um culto, um ídolo, um mestre, vos confina.  Vocês não devem crer em nada da história, em nada sobre vocês mesmos.  Aceitar nada conhecer do que vocês são em verdade, é a única maneira de reencontrá-lo hoje.  Vocês não podem se apoiar sobre nada, sobretudo não em vossa pessoa, sobretudo não em vossos afetos, e ainda menos nas projeções.  Permaneçam presentes a vocês mesmos, o que quer que vocês tenham a conduzir neste mundo, ou acreditar dever conduzir neste mundo, e isso se fará naturalmente.
Dito de outro modo, o que se desenrola na tela deste mundo enquanto pessoa não concerne em nada ao que vocês são em verdade, e vocês são apanhados assim que vocês acreditam na história qualquer que ela seja, em qualquer personagem que seja, vocês ou um outro.  É por isso que a Verdade não pode ser dita, ela pode apenas experimentar-se e viver-se no silêncio o mais completo, desembaraçada de qualquer referência, de qualquer objetivo, de qualquer objeto, de qualquer ponto de comparação.  Ousar afrontar o nada do ego, é descobrir o Todo, livre dos conceitos, livre das ideias, livre de toda essa confusão espiritual que vos bloqueia o caminho e a vista de maneira bem mais forte do que as convenções sociais ou morais.
O que eu quero dizer por isso, é que hoje vocês não têm necessidade da espiritualidade, vocês são o Espírito, e vocês são mesmo anteriores ao primeiro Espírito, anteriores ao corpo de Existência. Isso basta. Experimentem isso e todo o resto vos é aberto, aqui como em outros lugares. Não sejam retidos por nada, não quero dizer suprimir as relações por uma ação qualquer, isso não quer dizer, não mais, serem independentes da sociedade, isso quer dizer estar plenamente dentro, nada recusar de vossa vida.  Que seja o marido, a mulher, os filhos, ou contrariedades de qualquer ordem que seja, deixem isso se viver, isso não vos concerne.  Se vocês se sentem concernidos, vocês são apanhados na história, em um cenário, em um tornar-se.  Mas vocês são perfeitos, vocês não têm nada a tornar-se, realize-o agora ; é aqui e agora, neste instante. Não se apoiem em nada, em nenhum modelo, estejam nesse inocência, aquela da criança.
Eu disse, eu vos repito hoje, quando eu estava encarnado como vocês, eu dizia que minhas palavras não podiam falhar, e o peso dos condicionamentos é tal – não somente no Ocidente, ele também é muito forte no Oriente, ali onde eu vivi -, o peso da História, as adesões múltiplas a uma fé, seja como for, vos impedem de serem livres. No instante presente, não há nem amanhã, nem ontem, então como vocês querem encontrar o instante presente se vocês fazem referência a ontem ou a amanhã ? Ou se apoiando nas experiências do outro, dos outros ?  É necessário vos libertar, mas quando eu digo « é necessário », não é um trabalho nem um esforço, é um alívio, e é claro, vocês o sabem, o medo, geralmente escondido, vos mantém confinados, o medo do que se diria, o medo de perder, o medo de não mais controlar, de não mais gerir, de não poder fazer face.
O Liberado, e em sua natureza, em seu estado natural, eu falei de Paz mas há também uma despreocupação, o mental não pode mais vir invadir o que é da ordem do Espírito.  O mental serve para trabalhar neste mundo, mas não para encontrar o que vocês são, reencontrá-lo.  O mental não é vosso inimigo, ele é vosso aliado para agir neste mundo. São os pesos que vocês lhes dão, pelos pensamentos, pelas crenças, que o tornam tão detestável, mas vocês o veem cada vez mais facilmente, qualquer que seja vosso posicionamento.  Há portanto uma forma de relaxamento da identificação ao mental como da identificação ao corpo, é um mecanismo global que é conjuntural, mas vocês não dependem de nenhuma conjuntura. O que eu quero dizer por aí, é que isso jamais foi tão fácil como hoje.
Aliás quando vocês estão livres, vocês só podem sorrir com indulgência sobre o personagem que vocês eram um instante antes. Não há melhor prova. Reencontrar esse estado natural é de uma evidência tal que não pode surgir no interior da consciência nenhuma interrogação, nenhuma questão, nada pode vir perturbar isso.  Se vocês são perturbados, é que vocês têm feito a experiência, mas vocês não se reencontraram, vocês apenas viram ou perceberam.
Quero sobretudo que vocês guardem presente em vocês que não há jamais esforço a fazer, guardem vossos esforços para gerir vossa vida neste mundo, para fazer face às obrigações, mas não misturem o Espírito a isso.  Mesmo o simples fato de querer colocar o Espírito por toda parte em vossas atividades cotidianas não serve para nada porque vocês vão realimentar vosso mental. De algum modo vos é necessário, não separar as coisas, uma vez que tudo é Um, mas sim ver o que é da ordem do efêmero e da ordem da Verdade.  Nada do que é efêmero pode ser em relação à Verdade, porque a verdade de um dia não é a verdade do dia seguinte.  Nós todos conhecemos isso através de nossos afetos : eu te amo, eu me caso, eu não te amo mais, eu me divorcio.  E de qualquer maneira, mesmo o amor o mais romântico, o mais perfeito e ideal nesta terra, terminará necessariamente no instante de vosso último sopro.
Vivam o que a Vida vos propõe, vos oferece, mas não retenham nada. Aliás vos foi dito – parece-me, há muito tempo -, que tudo o que deve chegar chegará, o que quer que vocês façam, e a coisa a mais certeira neste mundo, é a morte da história através da morte do corpo, esse saco de comida que é apenas a carne e que contudo vos serve para se manifestarem, e no qual vocês estão.  Mas não se tornem idólatras, o templo é uma construção. O que é importante, não é o aspecto do templo, mas é o que está no interior, é claro.

Vocês não têm nada a venerar, vocês não têm de se submeterem a nada, nem aos conceitos, nem aos preceitos, nem sobretudo a nenhuma história. Certamente que houve modelos, eu vos disse, mas vocês sabem que em um dado momento, vocês devem realmente fazer o luto de todas as vossas ilusões, de tudo o que se passa, e isso se faz naturalmente quando vocês se reencontram, pois nada pode subsistir mais do que a Verdade dessa Alegria sem objeto, dessa serenidade, desse êxtase.  Ainda uma vez, essas são palavras, encontram-se em todas as culturas e em todas as línguas, com sinônimos, equivalências, mas qualquer palavra que é pronunciada sem ser vivida não serve para nada, é da palavra, não é do Verbo.
Prosseguimos, se você quiser.

Questão : eu vos agradeço por me ter feito compreender que a fonte da consciência estava no Coração do Coração. Graças a isso, eu consegui contatar o Coração do Coração e viver a Alegria.
Eu te agradeço por esse testemunho e quando eu vos disse que hoje, nestes tempos da Terra, é muito mais fácil, apesar das aparências e os constrangimentos exteriores do fim da Kali Yuga, de encontrar vossa verdadeira idade de ouro. Está em vocês, não está na transformação da Kali Yuga em idade de ouro. Isso, são os sonhos, o sonho do ego, o sonho da alma, mas não é a verdade do Espírito. Vocês não têm nada a melhorar, vocês não têm nada a evoluir, vocês têm apenas os jogos a levar, as experiências, o jogo pelo jogo.
Lembrem-se, no que vocês nomeiam as outras dimensões, não há regras, há apenas uma lei, isso vos foi explicado, cabe a vocês viver, a lei do Um, a lei da Graça, a lei do Amor ; é a mesma lei.  Todo o resto não é necessário, nem mesmo útil, nem mesmo desejável, o Amor organiza tudo. A Kali Yuga, a idade da sombra, é a idade em que o Espírito foi esquecido coletivamente.  Pouco importam as forças que foram colocadas em operação para realizar isso, isso não tem nenhuma importância porque isso fazia parte do jogo.  O que hoje vocês nomeiam sofrimento, confinamento, qualquer que seja o sofrimento, seja ele o mais intolerável, desaparecerá no momento da morte.  O Amor , ele, não desaparecerá jamais, ele não pode desaparecer.  Sem Amor não há vida ; sem Espírito não há vida, mesmo se o Espírito é rarefeito, é um mecanismo de esquecimento, ainda uma vez quaisquer que sejam as causas. A própria causa é um jogo.
Os povos denominados primitivos chamam a vida neste mundo « um sonho ». é efetivamente um sonho, e eu diria mesmo, na Kali Yuga, um pesadelo, e todavia é nesse pesadelo que a verdadeira vida é reencontrada, uma vez que o pesadelo cria as condições do despertar.  O medo também conduz ao Amor, quer vocês o queiram ou não, e quando o Comandante diz « o medo ou o Amor », se vocês estão no medo, isso quer dizer que o Amor bate à porta ainda mais forte.  Quando vocês estiverem fartos de ter medo, quando vocês estiverem fartos de sofrer, quando vocês estiverem fartos de se contarem histórias, então vocês se reencontrarão.
Enquanto vocês pensam que há uma busca, enquanto vocês pensam que há algo a melhorar no que é perfeito, vocês não podem se reencontrar. Melhorem, se vocês querem, as condições de vida neste mundo, mas qualquer que seja o estado de conforto ou de desconforto dos modos de vida neste mundo, isso não muda nada para a Verdade.  Então certamente, eu sei que muitos professores, os pseudo-gurus vos fazem crer que vos é necessário trabalhar, que vos é necessário buscar, que vos é necessário melhorar, que é necessário praticar. Mas deem-se conta, isso são os cegos que guiam os caolhos.
É preciso de algum modo tornar-se um anarquista, mas não um anarquista político, um anarquista da consciência, rejeitando todos os quadros, todos os limites, no Amor, na certeza, na evidência do que vocês são. Não é da violência, é natural.  Não creiam em nada e sobretudo não em vossa história nem na história deste mundo.  Enquanto vocês não voltarem todos os vossos pontos de vista e todos os vossos olhares a esse santo dos santos, esse Coração do Coração como vocês o chamam, como foi evocado neste testemunho, como vocês querem se reencontrar ?  Nas histórias, em um mestre, nas práticas fúteis ? São tagarelices, travestismos.  A Verdade não tem necessidade de nenhum hábito, de nenhuma palavra, de nenhuma suposição, de nada, ela « é ». E é o que todos nós somos.
Enquanto o meio não foi encontrado, o movimento da roda é caótico, à imagem de todas as histórias deste mundo, seja ela a história de um grande mestre. Nos Upanishads, Krishna também se enganou.  A perfeição não pode existir na manifestação ; é normal, é um jogo.  A única perfeição verdadeira é vossa natureza.  Para isso, vos é necessário de algum modo mergulhar no nada, no vazio, no desaparecimento, retornar à fonte da consciência, que está em vocês. A Fonte está em vocês, o Salvador está em vocês, o pecador também, o santo também, mas isso não são vocês. Vocês não podem ser limitados a nenhum papel, a nenhuma história, a nenhuma dimensão, a nenhum universo nem mesmo a nenhum multiverso.  Cessem as tagarelices, os falsos pareceres, as adesões a não importa o quê.  Vão ao essencial, não há lugar para tudo isso no essencial.
A Verdade é simples, ela é Uma e única, qualquer que seja o posicionamento em que vocês desejam se colocar ou manifestar, neste mundo como em qualquer mundo. É necessário aceitar descer nesse nada para o ego.  Na psicologia, diria-se ir às vossas profundezas, enfrentar vossas sombras. É a mesma coisa no nível do Espírito.  Eu vos lembro que o Espírito, para o ego, é o nada, para o Si, é a sombra. Mas vocês querem ser livres ? É a questão que vocês devem se colocar, e o que vocês entendem por Liberdade ?  A Liberdade de quê ?  De continuar vossas histórias ou a liberdade de serem verdadeiros ?  Um não vai com o outro, não é possível. É nesse sentido que viver o Coração do Coração é o caminho da Evidência.  Vocês não têm necessidade de nada mais, de nenhuma bagagem, de nenhum conceito, de nenhum objetivo e sobretudo de nenhum futuro uma vez que tudo está neste instante presente.
Você pode continuar ?


Questão : viver a Eternidade é viver o Absoluto ?

O Absoluto é um conceito. Que vocês o chamem Parabrahman, Último, « o que está além da Luz », « o nada », pouco importam as palavras, vocês não podem colocar as palavras, vivam -no.  Se vocês buscam as palavras para definir algo que é indefinível, qualquer que seja o ponto de vista, vocês se perdem na linguagem ao invés de serem o Verbo. E aí ainda, nessa questão, há o posicionamento do intelecto que quer saber, que quer definir.  O Espírito está além de qualquer definição.  Ele sopra onde ele quer e quando ele quer, vocês são isso.

Encontrem-se, reencontrem-se, e todo o resto, neste mundo como em qualquer mundo, no repouso eterno como em qualquer manifestação que seja, é você.  Aí está o único estado que não é da meditação uma vez que não há busca.  Enquanto vocês pensam dever realizar alguma coisa, praticar alguma coisa....vocês têm o direito de praticar para melhorar o que vocês querem neste mundo, mas vocês não têm nada a praticar para serem vocês mesmos.  Vocês não têm necessidade de seguir ninguém nem de imitar ninguém.

Então certamente, para a pessoa, em um primeiro tempo, é melhor ter um modelo, é mais tranquilizador, é mais sedutor, mas em um dado momento, vos será necessário matar o modelo, vocês retornam inteiramente em vocês mesmos a fim de descobrir a única Verdade. Não há outra. Vocês são isso, a Verdade.  Na Verdade, há todas as histórias mas vocês não são uma história, fragmentada, vocês são a soma de todas as histórias, de todas as criações, de todas as dimensões, de todos os Arcanjos. Não há diferença, não há distância exceto aquelas que são criadas pelos pensamentos e os conceitos, é tudo.

Ser liberado confere uma simplificação de vossa vida uma vez que vocês tornaram-se a Vida e vossa vida é alimentada de algum modo pela Vida e não mais pelos conceitos, as ideias, a moralidade, ou a sociabilidade. Era o que a questão ? Você pode repeti-la ?


Questão : viver a Eternidade é viver o Absoluto ?

A palavra que me incomoda, não é nem a palavra Eternidade nem a palavra Absoluto, é a palavra « viver », uma vez que no que está enunciado, há a realidade da vida pessoal neste mundo, da história sobre a qual é subentendido, pouco importa se é a Eternidade ou o Absoluto, que esse Absoluto, essa Eternidade, pode ser absorvida em meio à história da pessoa. É falso, é a história da pessoa que é reabsorvida na Verdade. É toda a diferença entre a projeção e o Acolhimento.  Ainda uma vez, que vocês chamem Eternidade, Absoluto, Último, Parabrahman, cada tradição e cada cultura tem suas expressões para isso, isso não muda nada. Você não pode debater ou aceitar que a Eternidade iguala o Absoluto se você não o vive.  Portanto a resposta não te traz nada, ela te traz um conceito, mas a vivência depende apenas de você.  E quando eu digo « você », não é a história da tua pessoa, é o que é anterior a toda história, a toda dimensão, a toda fonte, e mesmo anterior ao corpo de Existência.

Mas a palavra Absoluto ou Último é bem mais significativa do que a palavra Eternidade ; essa palavra foi empregada pelos Anciãos quando se fala do Eterno e do efêmero.  Na vivência natural, mesmo a Eternidade não quer dizer nada, vocês não podem dizer que : « Isto é ». Isso se traduz pela Alegria, a leveza, a despreocupação, o Fogo do Coração se vocês querem, e é tudo.  Olhem a vida de uma das Estrelas, Ma Ananda Moyi. Ela teve necessidade de conceitos ?  Ela teve necessidade de escrever livros ?  A Fonte teve necessidade de escrever ? Eu tive necessidade de escrever ?  Assim que vocês põem as palavras no papel, vocês estão no falso, vocês fixam o que não pode ser fixado. É nesse sentido que todos os livros sem nenhuma exceção, mesmo os Vedas, alimentam apenas o cérebro e o distanciam do coração.

Quaisquer que sejam os livros, que seja o Antigo Testamento, o Novo Testamento, o Corão, os Vedas, há sempre um ser ou um conjunto de seres cujo testemunho é retomado sob a forma escrita, fixando as coisas, alterando-as, modificando-as, uma vez que aquele que vê e aquele que escreve não é aquele que vive.  Assim que vocês apreendem a nuance, e ela é fundamental, nenhum escrito, apesar de sua potência evocatória ou mesmo vibral, como por exemplo o Apocalipse de são João, pode tornar-vos livres. Ele pode apenas testemunhar a Verdade, e é tudo, mas enquanto a Verdade não é vivida, isso permanece um conceito.

Continuamos ainda com esses testemunhos ou essas questões anônimas.


Questão : o Acolhimento ou acolher, é relaxar-se, deixar-se atravessar, fazer-se muito pequeno, entrar no interior no Coração do Coração. É não mais alimentar o conhecido para deixar vir o desconhecido, sacrificar a pessoa para deixar a Eternidade estabelecer-se e irradiar.

Está perfeito, exceto « sacrificar a pessoa ». Isso pode dar a impressão de que é necessário colocar fim aos vossos dias, a esse corpo ou a essa história, o que é inteiramente falso. A única restrição está aí, mas todo o resto é efetivamente isso.  Não esqueçam que os pensamentos, o mental, vocês o veem cada vez mais claramente, mas vocês não veem as crenças, porque as crenças não se traduzem sempre em pensamentos ou em atos, as crenças fazem parte de vossa educação.  Crer ou não crer não muda nada. Pelo contrário, quando vocês dizem que o trem que vocês devem tomar chega às 18 :12 h, evidentemente aí vocês devem crer, mas tudo o que concerne ao Espírito, tudo o que concerne aos escritos, quaisquer que eles sejam, não pode ser acreditado.
Como vocês explicam então, exceto no século XX, que assim que um ser, onde quer que ele esteja, descobre a Verdade, uma multidão se encarrega de fazer uma religião ? Que seja para Ahura Mazda, que seja para Mani, que seja para o Cristo, que seja para Maomé, que seja para o Buda, assim que é escrito, isso torna-se falso, e todas as religiões vos vendem isso como a panaceia universal a fim de vos fazer crer nas tolices, impedindo de vocês mesmos realizarem isso.  É uma projeção.

Nenhum escrito, mesmo sobre a história moderna, pode ser verdadeiro, porque ele depende daquele que o escreveu e não daquele que viveu. Por que vocês acreditam que a Fonte não escreveu nada, por que vocês acreditam que, à parte os poemas, eu não escrevi nada ? Porque escrever é um travestismo, não de vocês, mas daqueles que se apreendem ou que escrevem em vosso lugar.  O Espírito só pode se realizar por si mesmo. Nenhuma autoridade exterior, nenhum mestre, pode vos salvar, é uma mentira, e mesmo na tradição oriental onde é usual transmitir o poder, isso sempre é mal passado. Mesmo quando aquele que está na origem da vivência designa um sucessor, é um travestismo total.  Nada pode aproximar, mesmo de longe, a vivência.  Tudo o que não é vivido é falso.  É um princípio, e é uma verdade essencial da consciência em manifestação.

No que vocês nomeiam as outras dimensões, os escritos não servem para nada uma vez que todas as consciências jogam, têm acesso à essa espécie de memória universal e têm acesso à telepatia ou a outras formas de relação.  Qual é a necessidade do escrito ?  Qual é a necessidade da prova ?  Qual é a necessidade da assinatura ?  Qual é a necessidade dos conceitos ? A partir do instante em que vocês sabem quem vocês são, que vocês se reencontraram, não coloquem vosso testemunho – aqui é diferente, falamos - , porque assim que o testemunho é colocado, mesmo de vossa vivência autêntica, ele será travestido. Vocês só podem estar seguros do que vocês vivem ; não podem estar seguros que o que vocês escrevem ou mesmo o que vocês vivem, será compreendido, porque há filtros, e em meio a esses filtros, há desvios.

Se vocês observam hoje sobre a terra, muitos irmãos e irmãs hoje vivem esse estado natural. Vocês acreditam que eles têm necessidade de enganchar isso, quando eles o vivem espontaneamente, em qualquer religião, cultura ou explicação que seja ?  É inexplicável, é intraduzível. Pode-se apenas fazer poemas, como aliás o fez Sri Aurobindo por exemplo, ou como eu o fiz também, mas isso não descreve a Verdade ; a Verdade só pode ser vivida, ela não pode ser afirmada. É vivida sozinho, no que vocês nomeiam o face à face último, além de qualquer referência, além de qualquer história, a vossa como outras histórias, na nudez, no que vocês nomearam humildade, simplicidade, o Caminho da Infância que é o verdadeiro caminho, o caminho da ignorância, que vocês poderiam chamar no Ocidente, a fé inabalável na verdade do Espírito.

No que algumas Estrelas vos contaram, há anos, foram apresentadas pela Estrela Gemma e a Estrela Hildegarde, como pela Estrela Ma, as circunstâncias particulares que foram vividas.  Lembrem-se, ninguém pode servir dois mestres ao mesmo tempo, e eu não falo aqui de Deus ou do Diabo, mas vocês não podem servir um mestre, autoproclamado ou histórico, e descobrir quem vocês são, a menos que tenha um talento de imitador extremo.  Nesse momento, a imitação se tornará verdadeira.  Esse foi o caso para alguns santos ocidentais cujo primeiro entre eles, aquele que se chamava são Francisco de Assis, mas hoje vocês estão tão apanhados na Kali Yuga, nas obrigações, nas responsabilidades – que todavia não é necessário fugir -, que efetivamente isso podia parecer mais difícil, mas é em meio a essa Kali Yuga que a Luz reapareceu de maneira consciente aos vossos olhos, aos vossos sentidos, à vossa vivência.

Vocês não podem, dito de outro modo, nutrir e alimentar este mundo, como qualquer história neste mundo, mesmo a vossa, e serem livres.  As palavras que eu vos dou hoje, no atual estado das coisas e da vida na terra, não podem falhar, não mais. Colocar-se nu quer dizer expor-se, não colocar nada na frente, nem em outros lugares. Assim é a Verdade. Vocês não podem fixá-la, vocês não podem fechá-la, vocês não podem inseri-la em alguma história, caso contrário vocês a perdem.

É o que eu tentei explicar no ano de 2012, assim como sobretudo nos últimos anos de minha encarnação, mas todos os seres que passaram para me ver, todos aqueles que estavam nas histórias, de mestres, de religião, fugiram. Somente aqueles que eram inocentes, aqueles que eram verdadeiros em seus personagens, além de qualquer conceito e de qualquer crença, viveram a mesma coisa que eu.  Eles não buscaram imitar-me, eles não buscaram criar movimentos, uma vez que é o contato direto com vocês mesmos, sem maquiagem nem tolices, sem decoração, na nudez a mais total, que vocês se reencontram.

O obstáculo o mais importante era a identificação ao corpo. Quando eu estava encarnado, os processos que vocês chamam de Luz vibral, soltaram os laços, vos permitiram descobrir de algum modo, o posicionamento do observador que vê a história.  Vendo a história que vocês vivem, vocês apreendem de algum modo, pelo posicionamento do observador, que vocês não são o ator. Enquanto vocês creem dirigir vossa vida, é o ego quem vos dirige.  Esse ego é útil para escolher uma mulher, um marido, uma casa, um trabalho, mas não misturem a espiritualidade ou o Espírito a isso.  Não há nenhuma relação possível, uma vez que isso vos é desconhecido ; como foi dito no testemunho, estejam prontos para o Desconhecido e o imprevisível.

Quando uma criança brinca de índios e caubóis, ela desempenha o papel, ela pode mesmo mergulhar no papel, ela mergulha tanto mais que há prazer e no momento em que o jogo para, ela reencontra o que ela é, em seu nome, sua história que começa, o modelo familiar.  A vida neste mundo muitas vezes foi comparada a um sonho. Quer seja nos povos ancestrais como no nível do que a ciência descobre hoje.  A matéria é apenas do vazio reduzido, suficientemente reduzido e comprimido para aparecer.  Eu falo da matéria deste mundo.  Existe uma infinidade de matérias, uma infinidade de jogos, uma infinidade de mundos, mas vocês são essa infinidade, cada um o é da mesma maneira, na mesma inteireza, no mesmo espírito. 

Não esqueçam que é vossa consciência comum, aquela da pessoa, que fragmenta, que oculta, que não pode de maneira nenhuma conhecer o incognoscível e o Desconhecido.  Vocês não podem, desde a pessoa, descobrir a Verdade. Vocês podem elucidar todos os mecanismos que vocês querem, mesmo no nível da alma, e isso foi feito por muitos ensinamentos, sobretudo no século XX, mas nenhum desses ensinamentos ou desses pseudo-mestres pode vos conduzir à Liberdade uma vez que ele não a viveu.  Como eu o disse, os cegos guiam os caolhos, é mesmo pior do que um caolho que guia os cegos. Deem-se conta. É necessário liberar-se de toda essa confusão, e isso não se faz com um esforço, isso não se faz com um trabalho, isso se faz voltando vossa consciência, vosso olhar, no santo dos santos, isso foi explicado de diferentes maneiras pelos Anciãos. É a única Verdade.  Todas as verdades foram apenas histórias aproximativas cuja pedagogia permitiu aproximar-se do que vocês são, desatar a identificação ao corpo, desatar a identificação à história, desse corpo, de vossas vidas, como deste mundo.

… Silêncio…

Nós temos ainda testemunhos, questões ?


Questão : pode-se dizer que o Acolhimento, é aceitar o que chega ou não chega à pessoa, sem interferir, exceto os cuidados para o corpo se necessário ? Assim, nessa plena aceitação, deixando atravessar simplesmente sem nada fazer ao que se apresenta, isso leva a um relaxamento da pessoa, do ego, do mental. Assim, em finalidade, revela-se o que nós somos em verdade.

É totalmente exato, dito em outros termos, é a mesma coisa.

Não esqueçam que essa noção que foi amplamente desenvolvida, sobre o princípio da falsificação, qualquer que tenha sido a causa ela não me interessa uma vez que toda manifestação de consciência é um jogo ; mesmo aqui, há jogos mais agradáveis do que outros, não ?  Quando nós somos crianças, nós amamos jogar, as meninas preferem jogar amarelinha ou pular corda, os meninos preferem jogar outra coisa, medirem-se entre eles, jogar guerra.  São jogos. O único problema desses jogos neste mundo, é o esquecimento. É suficiente « reencontrar-se » como isso foi exprimido, ora a melhor maneira de se reencontrar, é acolher sem condições e sem concessões.

Esse princípio do Acolhimento não é somente um conceito, é também uma realidade do que se desenrola na consciência. Se mesmo vossa consciência da pessoa, efêmera portanto, decide acolher, mesmo em face de um evento de vossa história doloroso ou difícil... acolher é um estado de espírito, se posso ousar me exprimir assim.  Esse estado de espírito, é claro, deixa passar igualmente a consciência do sofrimento ou do desequilíbrio, mas além desse acolhimento da história, do sofrimento, como foi dito, o estado de Acolhimento permite também o Acolhimento da Luz. Em vez de reagir, em vez de explicar, em vez de compreender, em vez de apreender, acolham. Quando eu digo acolher, não é somente acolher as misérias da vida, ou as alegrias da vida, é a função dessa palavra acolher que vos faz reencontrar.  Portanto não polarizem o Acolhimento sobre simplesmente uma espécie de acolhimento incondicional de tudo o que a Vida vos propõe.

Se um indivíduo se apresenta diante de vocês com um sabre, e vos diz que vai matá-los, eu não vos peço para acolher. O que é necessário acolher, é uma atitude que evita a projeção da consciência. Eu não falo unicamente dos eventos de vossa história pessoal, eu falo de acolher sem saber o que vocês acolhem, de se colocarem nessa disposição do coração.  Mas não é necessário levar um golpe de sabre, e além disso se vocês acolhem, não há nenhuma razão e nenhuma possibilidade de que esse gênero de situação se produza, porque assim que vocês se colocam no Acolhimento... eu não vos peço para acolher vossa história, ela já está acolhida uma vez que vocês a vivem, mesmo se vocês a recusam ; se ela se manifesta à vossa consciência, é que efetivamente  vocês a acolheram, mesmo se vocês dizem que não é verdadeiro.  Se vocês dizem que vocês não acolheram o sofrimento, isso quer dizer simplesmente que vosso ponto de vista é aquele do ego, da pessoa.  O Acolhimento do qual eu falo não é somente o acolhimento das circunstâncias de vossa vida, é o Acolhimento no sentido mais amplo, é a inocência, é a espontaneidade.

Nos testemunhos que vocês receberam ou que vos deram, vocês têm o testemunho daquela que foi chamada a pequena Teresa, e que no entanto não teve necessidade de ficar muito tempo na terra. Então sempre se pode dizer que era uma grande alma ; ela disse exatamente o inverso, que ela era a menor, que ela era insignificante.  Não construam cenários, não construam histórias ao redor da história.  Portanto acolher, é estar disponível para o Desconhecido, para o invisível, é deixar vir a vocês.  Como o Cristo disse : « Deixem vir a mim as crianças. » O Acolhimento tal como eu o defini, faz desaparecer os mecanismos de projeção, os mecanismos de defesa, e todas as histórias. A refutação de há vários anos pode ser utilizada hoje, mas eu diria que hoje de algum modo, é tomar um caminho mais longo.  O caminho mais direto é o Acolhimento, acolher o Desconhecido, o imprevisível.

Vocês veem como é muito fácil transpor uma palavra, como a palavra Acolhimento, e fazê-la colar em vossa história pessoal. Vocês não têm de acolher vossa história pessoal uma vez que vocês estão inseridos dentro, ela já está aí.  O Acolhimento é um estado de abertura, um estado de espírito, um estado de energia se vocês preferem, que vos coloca na melhor disposição para reencontrar a Verdade, mas não limitem isso ao acolhimento de vossa história. O Acolhimento é vasto, ele concerne a todos os possíveis e todos os impossíveis.  Se vocês não colocam limites nem restrições – além disso é impossível uma vez que isso vos é desconhecido -, então vocês estão disponíveis para a Verdade, para vos reencontrar, qualquer que seja a história que é contada, qualquer que seja vosso sofrimento, quaisquer que sejam o ego ou o Si.

Portanto não limitem esse acolhimento aos eventos da vida comum, caso contrário vocês vão cair no excesso.  Esse excesso será qual ? É por exemplo, ter uma doença, não ver as circunstâncias e dizer « eu acolho ».  Não limitem essa noção de Acolhimento às coisas desagradáveis e agradáveis que são conhecidas.  A doença nos é conhecida, de todos, qualquer que seja o órgão ou a doença propriamente dita ; é a ruptura da harmonia.  O Acolhimento do qual eu falei ontem e do qual eu falo hoje é bem mais vasto do que isso.  Vocês poderão chamá-lo eventualmente a abertura do coração, mas quando eu falo abertura do coração, há aqueles que ainda vão conceitualizá-lo em sua cabeça.

Há inumeráveis expressões com a palavra coração, ou com a palavra amor.  O Acolhimento é um estado de receptividade, de Silêncio, que vos permite colocarem-se o mais próximo do santo dos santos, o mais próximo do meio da roda, de não mais estarem submetidos à vossa história ou ao conjunto das histórias.  O Acolhimento vos coloca no instante presente. Não há necessidade de conceitos morais ou religiosos.  Não é questão de se perguntar se vocês devem acolher com o mesmo sorriso a doença, a morte, o marido, a mulher, ou o filho.  O Acolhimento do qual eu falo é bem mais vasto. Ele transborda largamente o quadro de vossa história e o quadro do que vocês têm a viver neste mundo.

Esse Acolhimento é semelhante ao fato de dizer : « Eu entrego meu Espírito entre tuas mãos », mas no mental ocidental, além do aspecto da história do Cristo, isso pode vos remeter ainda para um ato de vontade enquanto não se trata de vontade, mas de sacrifício livremente consentido.  Mas a palavra « sacrifício », arriscaria remetê-los, no estado atual de todas as línguas do planeta, ao fato de querer se sacrificar.  Mas o sacrifício não é um ato de se sacrificar, é um ato de ver claro e de ver verdadeiro.  O sacrifício não se faz desde a pessoa, quando muito pode se fazer no nível da alma.  Lembrem-se, o Acolhimento é mais neutro, é mais vasto. Vocês acolhem o que vocês são e não o que vocês manifestam, e não uma nova história.

O Acolhimento é vasto. Ele cria a leveza, ele cria a inocência, é o Caminho da Infância, a pequena Teresa vos falou disso longamente.  Sua vida foi a ilustração disso.

Temos questões ?


Questão : Osho nos pediu para nos tornarmos preguiçosos. Eu não tive de fazer esforços para tornar-me um pouco mais, OMA e você destruíram uma boa parte de meu mental.  Agora, você nos pede para nos servirmos desse mental para definir a palavra Acolhimento. Eu me sinto incapaz, visto minha preguiça e meu pouco mental...

Mas eu jamais pedi e jamais defini o Acolhimento, é a questão precedente ou o testemunho precedente.  Retenham não uma definição de Acolhimento, eu disse que era vasto, o Acolhimento é um movimento antes de tudo, que reconduz aqui, no Coração do Coração ou no santo dos santos. Não há nada a compreender.  Acolher necessita justamente ser preguiçoso.  Preguiçosos no nível das reações, preguiçosos no nível dos discursos, e além disso, eu diria que vocês só podem acolher a Verdade se vocês forem preguiçosos – eu disse que não há esforço, não há trabalho – porque ser preguiçoso também desata os laços, com a história, com a ideia de ser uma pessoa, ser preguiçoso evita criar as histórias, os cenários. E do mesmo modo, por exemplo, quando os Anciãos ou os povos da natureza vos convidaram para reencontrá-los. Isso não é para bordar as histórias, com os laços, os históricos, é para viver a relação.  Não é para contar as histórias.

Portanto o Acolhimento, eu não me importo com as definições, e vocês também devem fazer isso.  É um movimento que não é mais do interior para o exterior, mas o que se poderia chamar do exterior para o interior.  Não há necessidade de compreendê-lo, isso, tem dois eixos. Não é um conceito, é uma vivência.

Então depois, de perguntar se é necessário acolher o sofrimento ou aquele que vem dar um golpe de sabre, isso é a dialética mental.  Quando eu falo de Acolhimento, mesmo se eu tomo exemplos, é um movimento em que vocês vão se voltar,  se reencontrar. Não pré-julguem o que é necessário acolher ou não acolher, coloquem-se no Acolhimento.  Vocês não têm necessidade de compreensão, de etiquetas ou de palavras.  Quando eu vos digo para se colocarem de pé, vocês não vão me dizer que primeiro é necessário que vocês coloquem em movimento tal músculo, tal outro músculo para se colocarem de pé, vocês o fazem. Não há nada de complicado.  Se a palavra Acolhimento vos parece complicada, não sou eu quem a complico.  Eu falei de um Acolhimento total na noção de algo que é vasto ; não busquem especificá-lo em função de uma circunstância, de uma explicação ou de uma vivência.

O Acolhimento é vosso estado natural, é por isso que vocês se reencontram, com o Acolhimento, mesmo que vocês tenham soltado os laços com o ator pelo posicionamento do observador e da testemunha. É muito mais fácil acolher sendo espectador do que sendo ator.  O ator está na ação, no jogo, o espectador olha o jogo.  O espectador é portanto passivo, mesmo se ele aplaude no final. Ele escuta, ele olha, mas jamais vem ao espírito de um espectador colocar-se na cena para incomodar ou mudar o jogo dos atores.  O espectador, o observador põe uma iluminação, uma clareza sobre o que vocês não são, quer dizer o ator. O Acolhimento põe uma iluminação, uma clareza, na inocência e Infância.  E acolher, é tornar-se extremamente preguiçoso, bem mais do que a preguiça de que vos falou Osho.  Eu diria que a preguiça é prévia ao Acolhimento, pois vocês não podem acolher sendo atores, vocês não podem acolher pensando no que vocês vão acolher ou não.

O Acolhimento é um estado que vos permite ultrapassar todos os estados. Vocês veem portanto que em relação à refutação, há uma forma de uma oitava a mais.  A preguiça prepara o Acolhimento, e desde que vocês são espectadores, vocês já se tornam preguiçosos, uma vez que vocês não são mais joguetes do ator, vocês sabem que ele atua, quer isso vos agrade ou não.  Eh bem para o Acolhimento, é exatamente a mesma coisa. Há uma dinâmica em todos os termos que foram empregados por uns e outros.  Há, e o Comandante manteve com intensidade, se posso dizer, há uma pedagogia, uma pedagogia que não é um conhecimento a aprender, mas uma pedagogia que é para viver.

Foi o mesmo para os diferentes yogas que vos foram dados, dando-vos a perceber a energia, a vibração, era uma pedagogia.  Por que nós não temos ou eu não empreguei as palavras de hoje há alguns anos ?  É a pedagogia.  Por que eu tento sair, mesmo se eu vos dou de tempos em tempos algumas palavras que se referem à minha tradição de origem, ou às vossas palavras que vocês conhecem, em meio a esta pedagogia ?  Tentei ser e serei o mais neutro possível. Não busquem especificar a noção do Acolhimento, sejam o Acolhimento, vivam-no. Não busquem compreender ou apreender antes de viver.  Esse, é o erro que nós todos fazemos, nós temos necessidade de compreender, de elucidar antes de aceitar viver.

Vocês compreenderam a morte ?  Enquanto vocês não a viverem, vocês não sabem o que é a morte, mesmo se vocês perdem um próximo.  A experiência é insubstituível e a experiência não se importa com os conceitos e as palavras que vocês vão colocar em seguida. Elas são tributárias de vossos conhecimentos anteriores, elas são tributárias de vossa cultura, mas não têm o mesmo valor, e todavia são as mesmas palavras, porque a linguagem, a palavra, torna-se o Verbo.

Além disso, nas questões pessoais dos meus visitantes quando eu estava encarnado, como foi transcrito, muitos perceberam que eu podia trazer duas respostas diametralmente diferentes segundo o interlocutor que estava diante de mim. Isso quer dizer que uma vez a cada duas eu menti ou nas duas vezes eu menti ?  Não.  Eu empreguei as palavras que individualmente podiam fazer ressoar e abrir, reencontrar.  Para um era uma palavra, e para o outro era uma palavra que era oposta, mas não há erro.  Lá eu tento responder de maneira, e eu vos disse, anônima. Não será do mesmo modo depois, para minhas últimas intervenções. Aí, vocês serão obrigados a falar vocês mesmos, e vocês verão que aí também, não há resposta pronta, da mesma maneira que alguns seres vos fazem pronunciar vosso nome, não há resposta universal.

Então para o que concerne ao Acolhimento, não restrinjam isso a uma ação, a um conceito, a uma ideia, a uma definição, coloquem-se no Acolhimento, mesmo se vocês não sabem o que isso quer dizer. Vocês não têm necessidade de sabê-lo antes de vivê-lo, porque assim que vocês colocam o intelecto na frente, a compreensão, a explicação, vocês não estão mais disponíveis para viver o que é para viver.  Sirvam-se das palavras mas depois, não antes.  O resultado é profundamente diferente, porque se vocês se servem do intelecto, das palavras, dos conceitos, antes, vocês jamais viverão o que é para viver.  Pelo contrário, se vocês aceitam viver o que é para viver, vocês não têm necessidade de compreendê-lo.  É o fato de querer compreender que fixa e que bloqueia o acesso aos vossos reencontros.

O específico do mental, como do ego, é querer apreender. Vocês não podem apreender o Espírito, nem o Amor que vocês são, ele já está aí. Já está apreendido, se posso dizer, por vossa história.  Vocês só podem vivê-lo. Nenhuma explicação pode dar conta do vivido. Nenhuma palavra pode realmente fixar e descrever a verdade do que é vivido, porque assim que a palavra é pronunciada ou escrita, há travestismo.  Uma vez que a palavra escrita é uma projeção, uma vez que as palavras pronunciadas são também uma projeção, exceto se as palavras pronunciadas se fazem desde o Verbo.

Então não coloquem a questão de como acolher. Vocês acreditam que para ser preguiçoso, é necessário compreendê-lo ?  É o ego quem se interpõe na frente e que quer se apreender dos conceitos, das palavras.  A consciência não tem necessidade de se apreender, não tem necessidade de compreender.  Evoquem « Eu acolho » e vocês acolherão.  Não busquem saber o que é necessário acolher ou como isso vai se passar, visto que vocês não estão no instante, vocês já deslocaram.

Avançamos.


Fim do testemunho : visto que tenho liberdade, eu escolhi meu campo e abandono aquele do livre-arbítrio por aquele da Luz, e como eu sou Luz, tudo vai bem. Agradeço Bidi.

Mas tudo só pode ir bem, em definitivo, independente das circunstâncias e das conjunturas deste mundo em fim de Kali Yuga.  Sendo eternos, sendo a Verdade e a Vida, como vocês querem imaginar ou ter medo de desaparecer ?  É o ego quem desaparece, a história, quando vocês morrem, mas não vocês, vocês jamais nasceram. Não tendo nunca nascido, vocês não morrem nunca, o que morre é a ilusão desse corpo. E além disso, vocês sabem muito bem que existem cada vez mais testemunhos, devido à conjuntura atual , de melhorias da medicina, que todos os seres que se veem fora do corpo, de maneira acidental, quando eles recuperam seu corpo, o único inferno, é neste corpo, o único peso, é neste mundo.  Vocês não podem desaparecer jamais, vocês desaparecem da Ilusão, mas o que vocês são não desaparece jamais. Vocês nunca nasceram, vocês jogam.

O Acolhimento, a preguiça, têm por corolário o alívio, a verdadeira despreocupação, qualquer que seja o peso de vossa história e de vossos compromissos.  Descobrindo a Verdade, vocês não podem mais estar submissos à vossa história, aos vossos afetos, aos vossos sofrimentos.



Então é tempo de « pausa » ; eu vos digo até logo.


***


Tradução do Francês: Ligia Borges




PDF (Link para download) : BIDI – PARTE 2 – Q-R – Outubro de 2017


7 comentários:

  1. Nesse momento, vocês não estão mais submissos às crenças, aos pensamentos, às egrégoras, aos movimentos, às religiões.
    .........
    Vocês veem então este mundo como um sonho coletivo, não há nenhuma substância.
    .........
    O que não é um retorno ao passado de vossa história mas uma forma de retornar à evidência.
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    Não há mestre, não há superior, não há hierarquia, tudo isso, são as tolices que são muito atrativas em todas as espiritualidades no momento atual.
    ........
    Aceitar nada conhecer do que vocês são em verdade, é a única maneira de reencontrá-lo hoje.
    .........
    Ousar afrontar o nada do ego, é descobrir o Todo, livre dos conceitos, livre das ideias, livre do toda essa confusão espiritual que vos bloqueia o caminho e a vista de maneira bem mais forte do que as convenções sociais ou morais.
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    Tudo o que não é vivido é falso.
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    Estejam prontos para o Desconhecido e o imprevisível.
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    a melhor maneira de se reencontrar, é acolher sem condições e sem concessões.
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    Mas o sacrifício não é um ato de se sacrificar, é um ato de ver claro e de ver verdadeiro.

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  2. "O Acolhimento é vosso estado natural, é por isso que vocês se reencontram, com o Acolhimento, mesmo que vocês tenham soltado os laços com o ator pelo posicionamento do observador e da testemunha. É muito mais fácil acolher sendo espectador do que sendo ator. O ator está na ação, no jogo, o espectador olha o jogo. O espectador é portanto passivo, mesmo se ele aplaude no final. Ele escuta, ele olha, mas jamais vem ao espírito de um espectador colocar-se na cena para incomodar ou mudar o jogo dos atores. O espectador, o observador põe uma iluminação, uma clareza sobre o que vocês não são, quer dizer o ator. O Acolhimento põe uma iluminação, uma clareza, na inocência e Infância. E acolher, é tornar-se extremamente preguiçoso, bem mais do que a preguiça de que vos falou Osho. Eu diria que a preguiça é prévia ao Acolhimento, pois vocês não podem acolher sendo atores, vocês não podem acolher pensando no que vocês vão acolher ou não."

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  3. Constatar vossa condição efêmera neste mundo sem fazer apelo a qualquer elucubração concernente ao passado, ao karma, à pessoa, às religiões, aos movimentos espirituais, deixando tudo passar e tudo se apagar. Resta somente a joia, o que você é. E lembre-se que isso não é exclusivo, mas inclusivo. Tanto a pessoa, a história, é exclusiva, tanto o Amor, esse santo dos santos, é inclusivo, vindo magnificar toda forma de resistência, toda forma de sofrimento, ou toda forma de negação do que é a vida.
    Grato Ligia
    Rendo Graças

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  4. Acolhimento é...acolhimento. Pra que tantas palavras pra entender isso???

    Anthar

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  5. No início da leitura, aconteceu de ouvir uma suave melodia, internamente...

    Alguns apontamentos, que tocaram- me:

    "Você é a Vida e não mais tua vida, tua história."

    "Essa Alegria sem objeto, sem objetivo, sem reação, é o melhor testemunho de vosso estado natural."

    "Vão ao essencial,"...

    "E quando eu digo « você », não é a história da tua pessoa, é o que é anterior a toda história, a toda dimensão, a toda fonte, e mesmo anterior ao corpo de Existência."

    "O caminho mais direto é o Acolhimento, acolher o Desconhecido, o imprevisível."

    "Não busquem especificar a noção do Acolhimento, sejam o Acolhimento, vivam-no."


    Foi tão magnífico, e sentir ressonância, é constatar a Graça!!!!

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    1. É claro que não há como descrever o que seja acolhimento, que certamente não se trata de nenhuma noção que se possa ter; no entanto, foi muito feliz a Noemia em destacar essa frase: "Não busquem especificar a noção do Acolhimento, sejam o Acolhimento, vivam-no" , pois de fato essa frase remete a alguma aproximação, digamos assim. Enfim, todas as palavras do mundo jamais diriam o que seja qualquer coisa no âmbito da Verdade, que é algo exclusivamente vivível, e portanto, indizível.

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