BIDI – PARTE 6 – Q/R – Outubro de 2017


BIDI - Parte 6 - Q/R - 18 de Outubro de 2017
Mensagem de 18 de outubro de 2017 (publicada em 03 de novembro)
Origem francesa – recebida do site Les Transformations


Áudio da Leitura da Mensagem em Português - por Noemia
Clique aqui para fazer o download do áudio





Bem, Bidi está convosco. Instalemos o silêncio alguns minutos.


… Silêncio…


Bem, nós vamos poder retomar as nossas trocas. Quem tem a palavra?


Questão: Bom dia Bidi. Não há nenhuma questão em particular mas é com reconhecimento que eu acolho, se tiver alguma coisa a dizer-me.

Bem, eu constato que tu te rendeste à evidência do que tu és. Assim, portanto, a testemunha que tu és vê, com cada vez mais acuidade, o que pode ainda restar ver nos fragmentos de histórias recentes, e tu constatas, além disso, que existem cada vez menos elementos e acontecimentos dessa história, presente ou passada, que ainda podem perturbar o que quer que seja desse testemunho. Há portanto uma forma de estabilidade que te conduz naturalmente, e de forma cada vez mais espontânea, sem esforço, sem vontade e sem desejo, a não mais ser afetado por aquilo que ainda te podia afetar, vindo do teu corpo ou da história, até há pouco tempo. Tu esperavas, talvez, qualquer coisa mais espetacular ou mais decorada mas não, é a vacuidade, o Silêncio, onde não há necessidade de mais nada. Não fiques desapontada por seres passada por aquele ou aquela que procuram ver, compreender, viver as experiências, por esse ou essa que se deixam viver pela vida.

Precisas, a partir de agora, de simplesmente te colocares nessa postura de acolhimento, quaisquer que sejam as circunstâncias, e não unicamente no momento em que estás tranquilo e vazio e só. A testemunha está presente a cada instante. É uma atitude do teu mental, do teu personagem, que se retifica profundamente e que te permite descobrir o que está além de toda a experiência, mesmo de todo o contacto, eu diria, com outra coisa além do essencial. Não tens mesmo necessidade de construir histórias intermediárias, nem mesmo de receber outras compreensões ou outras explicações; para cada um, como para ti, é essencial.

Eu diria que a Paz, e em breve a Alegria, é o elemento mais importante, porque cada vez que isso é vivido, e é cada vez mais frequente, tu constatas que ele deriva ainda mais do apaziguamento, da tranquilidade. Mesmo o corpo, através da sua medida normal, não te afeta mais.   Assim, as virtudes do Silêncio, não somente das palavras mas sobretudo da própria consciência, é verificada como sendo mais rentável para a tua vida. Tu ilustras na perfeição que a passagem de um para o outro se pode fazer independentemente das experiências, das energias ou das vibrações.

Resumindo, eu diria que tudo é mais leve, sereno e pacífico. Não esperes nada de preciso relativamente à Alegria, ou seja, não coloques distancia entre um desejo, entre o que já foi vivido e que está, eu lembro-te, no outro lado da sala - a Paz, e do outro lado a Alegria - , mas não projetes nada sobre o que poderá ser essa Alegria porque ela não corresponde a nada de conhecido. Contenta-te em te repousares na testemunha e na Paz, ou no apaziguamento que daí resulta. Tudo o resto, a partir de agora, acontece ao seu ritmo e é natural.  E como tu constatas, isso não depende unicamente de um estado prévio, de uma curiosidade ou de uma interrogação.  Como para cada um é a Evidência que substitui a explicação, são os resultados que substituem a compreensão. Assim, o apaziguamento te conduzirá também, naturalmente, à simplicidade, onde não há lugar para o mental nem para qualquer referência conhecida.

Eu não tenho mais nada para te dizer a não ser constatar isto.  Eu não tenho mais nada para te especificar, porque tu o constatas por ti mesma, na tua experiência.


Quem quer falar ?


Questão: Eu não tenho pergunta e eu agradeço por aquilo que me quiser dizer.


Depois do silêncio, que é muito mais, falando no teu caso, que as minhas palavras, eu te direi isto:  é preciso ousares, sempre mais, ousar deixar todo o conhecido. Deixa a espontaneidade que se manifesta muitas vezes na tua vida efémera, ser a mesma no teu interior.  Assim, portanto, reconhecido e vivido o princípio da espontaneidade, resta-te apenas aceitar essa espontaneidade em todos os teus estados e experiências. Deixa correr o que acontece, não pares nada. Da mesma maneira que, a partir de agora, tu começas a ter mais confiança na Vida, nos inumeráveis setores do teu efémero, é preciso, é necessário, que essa confiança existe também no seio do invisível. 

Com efeito, permanece uma necessidade de catalogar, não na tua vida efémera mas no que acontece no estado de testemunha. Não há necessidade de saber ou de definir, quando acontece o que quer que seja no interior, de se deixar expressar uma qualquer perspicácia, não uma qualquer  interpretação mas descriminação, entre verdadeiro e falso, bem e mal, mas acolher sem hesitar tudo o que chega. Tu não arriscas nada.  É da qualidade da tua imutabilidade que acontece a impecabilidade interior.

No seio da tua Eternidade, nada do que pode acontecer, pode ser qualificado dessa maneira. Mesmo um elemento interior que pode parecer não ser da ordem da verdadeira Luz, tem sempre a sua razão de ser, e é precisamente mantendo essa imutabilidade que não há mais necessidade de descriminar, de ter uma opinião, mas simplesmente de deixar atravessar o que a Vida te dá ou te mostras.  Nesse momento tu constatarás uma adequação, um encaixe perfeito, e tu não farás mais diferença no que se vive na tela do teu mundo e na tela da Verdade. Esta combinação, em sintonia se tu preferires, te permitirá, desta vez, constatar a implantação da Graça.  Tu constatarás também, depois, que a Evidência, não é uma palavra vã e que a melhor localização só pode ser a do acolhimento incondicionado e incondicional.

Isto está a caminho.  Resta-te apenas perder o hábito que tu tens, ao nível íntimo, de reproduzir o que tu fazes no exterior, ou seja, a necessidade de armazenar e classificar. A classificação faz-se sozinha.  O que deve ser jogado, é jogado sozinho.  O que deve ser guardado, é guardado e mantido sozinho. Tenta, e tu conseguirás sem nenhum dificuldade, nada arrumar,  nada relacionar com o que a Eternidade e a tua localização te propõem. A limpeza faz-se por si mesma, não é como na tua casa, a organização faz-se pela inteligência da Luz. O que não for compreendido no instante presente, ou suficientemente esclarecido, sê-lo-á no instante presente seguinte.

E não esqueças, além disso tu constatas, que quando tu estás no lugar da testemunha ou do observador, por vezes há essa necessidade de explicar, de compreender, que surge, que é natural também até um certo ponto, mas que te dá a ver que isso é um entrave ao que se vive. Tu já o compreendeste. Então, deixa as coisas acontecerem, tu não tens necessidade de as notar para te lembrares.  Portanto, deixa a vida fluir, não a congeles em caixas ou em escritos.  O que se elimina, elimina-se, o que deve permanecer, permanecerá. Não é um problema de memória, como com as coisas vulgares, a triagem faz-se sozinha.  O que deve permanecer, permanecerá, o que deve aparecer e desaparecer, qualquer que seja a sua importância no momento, desaparecerá.

Resumindo, não serve para nada amontoar, classificar, organizar, mas estar sempre vazio, novo e pronto para o instante presente.  É precisamente, eu diria, um hábito do efémero que se transpôs para a testemunha, mas que não tem nenhum interesse e nenhuma vantagem.  Sobretudo neste estado de testemunha, guarda na tua mente que quanto mais preguiçoso fores mais verdadeiro és, exatamente o inverso no efémero. Aqui é a Evidência é a facilidade. Se tu estás ocupado no Acolhimento enquanto testemunha, tu não te podes servir do que tu utilizas no teu quotidiano. Deixa as coisas ordenarem-se, resolverem-se, articularem-se por si mesmas.  O que tu não vês, de momento, enquanto testemunha, está inscrito na testemunha.  Revelar-se-á, mostrar-se-á, se for necessário.  Não te sobrecarregues com nada de supérfluo. Tu já o fazes muitas vezes.

Eu peço-te simplesmente para veres que nos casos em que este reflexo surge, de classificar, de triar, de organizar, o que resulta daí faz com que a tranquilidade, ao retornar ao seio do efémero mais quotidiano, não seja tão tranquila como nos momentos em que tu te deixas viver sem querer dirigir, triar, organizar, emprega as palavras que quiseres.


Quem quer falar? 


Questão: Eu não tenho questões mas eu escuto, eu acolho na Alegria, no meu coração, o que tu tens para me dizer.

No teu caso, eu quero apresentar-te as coisas assim. No momento há uma espécie de balança. Imagina uma balança com os seus dois pratos; se um desce o outro sobe.  No que vocês nomearam este último face a face, na tua posição foi-te dado a ver isso.  Nos seus movimentos, parece-te que os teus pratos não podem estar equilibrados. É evidente. Há um que subirá sempre mais e outro que, quando ele tiver parado de descer, não existirá mais. Qualquer que seja a tua experiência, que é real, tanto interior como exterior, será desejável que tu não te interrogues sobre estes movimentos. Eles  participam, tanto um como o outro, no equilíbrio final e definitivo.

É exatamente para ti que é útil, esta espécie de oscilação que contribui, portanto, para a Paz e para a imutabilidade.  É uma regulação que se faz e não um desequilíbrio. Este ajustamento extremamente fino que a vida te joga, mesmo que seja menos frequente, mas por vezes mais amplo, não deixa dúvida nenhuma quanto à finalidade. Contenta-te, não em acolher,  tu já o fazes, mas em aquiescer a este movimento.  Ele é para ti a Vida que te conduz à imobilidade.

Isto quer dizer que na tua experiência não é a imobilidade que é descoberta mas é a experiência do movimento desse balanço, de qualquer modo, que cria o equilíbrio, que não é vivido sempre como um equilíbrio - no momento. Especialmente porque, como tu o constatas, desde há muitos meses, isso te perturba cada vez menos.  O que possa dizer ou interrogar-se, por vezes, o teu personagem, ele faz emergir, assim que tu o vives, um sentimento de maior disponibilidade e portanto de escuta, não de histórias, mas de escuta da Vida. A iluminação, mesmo que te pareça inconstante ou insuficiente, pelas suas oscilações, contribuiu para tornar os acontecimentos a viver, qualquer que seja a sua importância ao nível da tua vida, não apenas com retrospetiva mas sobretudo com mais leveza, quaisquer que sejam, por vezes, alguns elementos salientes que poderiam fazer-te  pensar o inverso. Não é nada.  Tu o constatas facilmente nos instantes que se seguem a este género de interrogação.

No teu caso, também, a localização da testemunha, quaisquer que sejam esses famosos movimentos, preenche-te, à tua maneira, de uma certeza inabalável, da tua eternidade e da tua natureza.  Não te ocupes com aquilo que, por vezes, te pode dar a impressão de estar encalhado ou resistente, o simples facto de observar este movimento livra-te e permite-te evitar permanecer congelada no que te parece preso. Observa, simplesmente, e deixa passar. Eu falo, aqui, de mecanismos íntimos para viver ao nível da testemunha ou do observador. Tu sabes bem que na vida ordinária, de todos os dias, há momentos em que isso não pode ser possível, quando uma ação te é pedida, mas isso é, de facto, possível mesmo ao ler, mesmo ao olhar uma tela, mesmo ao discutir.

Quem quer falar ?


Questão: Eu não tenho nenhuma questão particular para lhe colocar mas acolho com Alegria o que tiver para me dizer.

Então, permite-me, antes de responder, colocar-te também uma simples questão, e sê espontânea na resposta: quem és tu?


Questão: Eu não sei.

E tu estás contente com a tua resposta.


Questão: Não, mas eu não vejo outra coisa para responder.

Então, aqui está o que eu tenho para te dizer.  De uma maneira geral, e aqui eu não vejo aqui diferença entre o efémero e o Eterno, existe no ator, mas também no espetador ou na testemunha, uma necessidade, que de qualquer maneira, tu também não explicas, que poderá corresponder ao que eu nomearia a necessidade de se ver no outro, ou seja, que inconscientemente, mas por vezes conscientemente, existe uma necessidade de aprovação.  Entende bem que isto não é uma crítica, nem um erro, mas desde que haja procura de um sentimento, de aprovação, no olhar ou nas palavras do outro, tu crias em algum lugar uma dependência. Pouco importa onde ele se situa, é o principio da dependência. 

Ser autónomo é, em qualquer circunstância que seja, o aviso mais importante, a opinião mais importante, não será nunca definido em relação ao olhar do outro, nem mesmo em relação ao que pode ser lido. É isso que é a resistência, não no que tu és, nem no efémero nem no Eterno, mas antes uma estratégia de comunicação, de relação, onde definitivamente o que está escondido dentro disso, é isso, quer dizer que tu dás mais créditos, de maneira geral, ao que é aceite, confirmado pelo outro, no sentido amplo. Há uma  necessidade, não compulsiva mas mesmo assim presente, de verificar, de comparar. É o único elemento que te faz responder “eu não sei”.

É simplesmente uma forma, se eu posso dizer, de abordar a relação, a comunicação, onde há uma forma de vigilância à vida, aos olhares, à opinião, em detrimento de ti. Isto remonta a muito longe mas não vale a pena ir procurar, a necessidade de aprovação está ainda mais intimamente ligada à educação, certamente, mas também silenciosamente escondida, com medo de se enganar, mas também tem, em qualquer lugar, uma relutância ao olhar do outro e, portanto, isso priva-te em certas ocasiões, não sistematicamente, da Liberdade e da Autonomia. 

Sempre vos foi dito que neste momento, neste face a face último, nenhum comentário, nenhuma opinião deve interferir.  É preciso ousar estar sozinho, no Coração do Coração.  Mais uma vez, não interpretes isto como uma necessidade de te fazer ver ou de mostrar, mas simplesmente uma necessidade que não tem nada a ver mas que tu não controlas.  Aqui, também é um hábito. Não há nada para comparar, e nada do que é para viver, enquanto testemunha, pode ou deve ser contrariado ou pesado pelo  olhar ou pela opinião do outro.  É cada um consigo.

E lembra-te que não há nem competição, nem superioridade, nem inferioridade, e que tudo isso só depende definitivamente da localização do teu ponto de vista.  É, se tu preferires, é como se o espetador, a testemunha, que olha o ator procurasse através das reações dos outros atores modificar o estado da testemunha ou do espetador.  Deixa desenrolar-se, sem à priori e sem procurar nem olhar nem opinião.  O que não impede de mudar o olhar ou as opiniões, mas não faças disso uma ferramenta que permita calibrar, medir, comparar. Permanece neutra, tanto para ti como para todos, como para cada experiência e tu sentirás os últimos pesos evacuarem-se. 

No teu caso específico eu direi que não serve de nada, no momento, que o espetador se afaste muito do ator, mas no teu caso haveria interesse em que o espetador e o ator, a testemunha e a personagem, se reunissem em algum lugar.  Então, por isso, é muito simples. Aceita que tudo o que vais jogar no personagem é realmente um jogo. O que eu quero dizer com isto é que, mesmo quando há uma gravidade, qualquer que seja o acontecimento, não seja tão ingénuo como a testemunha próxima do ator, ou o ator próximo da testemunha, entenda isso antes de ver e de viver que não há mais teatro, nem há mais ator nem observador. 

No teu caso, devido a esse pequeno mecanismo que é uma forma de subjugação ao olhar ou à opinião do outro, que não é constante, felizmente, tu privas-te a ti mesma da tua liberdade.  Isto não quer dizer indiferença ao outro, bem pelo contrário, já que o outro és tu, isto quer dizer também que todos os comentários, todas as opiniões não têm nenhum interesse.  O instante presente nunca será uma opinião ou um comentário, é uma visão, dura, clara, precisa, profunda, que não pode ser acompanhada de opiniões de comentários.

Então, não procures, mesmo se eu te dei certos elementos ligados à educação, não procures resolver o passado, porque tu tens, hoje, todas as capacidades para deixares evacuar isso.  Não serve de nada, e aqui eu não falo do teu caso específico mas de uma forma geral, não serve de nada sentir-se dependente de um comentário ou de um olhar, mesmo iluminado.  Vem um momento em que é preciso aceitar essa solidão, assumi-la plenamente. É um mecanismo da consciência, da Luz. O que foi nomeado “deixar a Vida viver-te”, é exatamente isto.

Então, não vejam através das minhas palavras uma montanha para resolver mas simplesmente uma iluminação que vos deve permitir colocarem-se mais facilmente na porta de saída da ilusão.  Dito de outra forma, no teu caso:  tudo o que tu olhas, olha-te, e isso pode ser incómodo.  Então, o Acolhimento é um pouco diferente do olhar, é por isso que existem estas palavras como «ver», «clareza». Não olhes, sente.  Aqui trata-se verdadeiramente da orientação, se o posso dizer, do olhar ou do ponto de vista.


Quer quem falar, evitando a frase estereotipada que todos vocês me repetem, hoje, desde o início? Falta originalidade.


Questão: Obrigado por estar entre nós, mas eu não tenho questões e eu acolho com grande Alegria o que tem para me dizer.

Não são as mesmas palavras, há a palavra «Alegria» a mais. Não se copiem, sejam originais nas vossas palavras.

Eu faço-te uma pergunta: Quando tu estás na Alegria, sem sujeito e sem objeto, o que sentes tu, na energia, no vibral e no corpo?


Questão: Bem, eu estou bem.

O que é que tu chamas estar bem?


Questão: Eu estou em Paz.

O que é que é entendido, para além do que resulta disso, quem é a Paz?  Mas na Alegria, no facto de estar em paz, sentes uma necessidade, qualquer que seja, ou, por contrário, tudo parece óbvio?


Questão:  Não, eu não tenho necessidade.

Então, o  que eu te posso dizer é cada vez mais, o facto de estar bem, na Alegria, em Paz, não poderá mais ser alterado. Desde que haja um acontecimento na tela da tua vida que possa parecer não ser agradável, qualquer que seja o conteúdo, será que deixas a mesma Paz, o mesmo sentimento de bem estar implantar-se, ou será que então te pode parecer  perder, realmente ou não, essa Paz?


Questão: Não, eu não perco a Paz.

Então, não tenho mais nada a dizer-te.


Quem quer falar?


Questão: Eu vou tentar modificar um pouco.  Eu estou feliz por partilhar este momento com todos mas, apesar de tudo, eu não tenho questões e eu escuto-o se me quiser falar de mim ou ...

Falar-te de quê?


Questão: Eu acolho as suas palavras. Obrigado.

Quem disse «falar de mim» ?

Questão : Eu.

Então quem é ?


Questão: Eu estou aqui…

Mas quem disse «eu»?


Questão: Eu. Foi a pessoa que disse «eu».

De acordo. Tu, tu conheces-te.


Questão: Talvez sim.  Não muito bem.

Tu conheces a tua pessoa.


Questão: Sim, ela é um pouco invasiva.

Então, eu não vou falar de ti.  Como queres tu desaparecer, assim?  Para além de ti, da tua forma, aqui ou algures, de toda a história, tu sabes, e tu já o viveste, que é precisamente quando o que é invasivo já não tem o direito de falar que tu sabes quem és, mas isso não és tu.  O que tu és não és tu.  Eu direi mesmo que não tem nada a ver contigo.

Através das poucas palavras que tu me disseste, mas isto diz respeito a cada um, há um reflexo que é constante, o facto da ilusão deste mundo criar, de maneira por vezes brilhante, outras vezes insidiosa, a impressão de que tudo deve ser devolvido à pessoa. Aqui nós não estamos no olhar exterior como anteriormente, mas há um reflexo auto-punitivo.  Não é uma questão de ter tal tipo de pessoa, invasiva ou não, é uma questão de aceitar que quando nós te batemos com o Absoluto, o Último, o Desconhecido que não pode ser conhecido, tu deves aceitar que, da mesma maneira, agora, o olhar do outro não tem importância nenhuma, que o teu próprio olhar, sobre ti mesma, não serve para nada.  Há uma forma de  auto-culpabilização que coloca ainda mais distância com aquilo que é, no entanto, vivido.

Resumindo, não escutes nada, não do exterior de ti, de qualquer forma tu só fazes a tua cabeça, mas não escutes o que te diz a tua cabeça.  Mergulha, e tu sabes fazê-lo, tu viveste-o, no vazio, onde não há mais nada.  Não escutes o que a personagem te pode sussurrar porque na Eternidade instalada, mesmo a criança interior não tem mais nada a dizer.  Como eu disse, a testemunha, o observador, está à disposição de cada um.  A testemunha ou observador, o espetador, não tem necessidade de conversar com o ator. O espetador não vai dizer ao ator isto ou aquilo, ele olha.  Ele ama ou não ama mas ele olha.  Tu és o que olha.  Há precisamente um défice de escuta, não da personagem ou do outro, isso tu fazes muito bem, mas da escuta do Silêncio, ou da criança interior, aquele que nunca pode trazer o mínimo julgamento sobre qualquer aspeto da tua vida, do teu personagem.  O que quer dizer que aquele que julga a sua pessoa não é mais espetador, ele é um intruso na cena de teatro, que dificulta o jogo, o espetáculo.  A testemunha, o observador está obrigado a estar no Silêncio para observar, para entender o ator.

Mas isso já se viveu muitas vezes, não há volta atrás possível. São precisamente estratégias de evitar que não estão ligadas ao medo nem à falta de amor, mas eu diria que nem sequer são um hábito.  Como chamar isso?  É uma forma de formatação, não da educação mas que é muito mais  observada em certas atividades profissionais, que cria isso.  Então, o que é preciso como solução? Bem, no teu caso, é muito simples. Colocar não só a leveza mas mais, bem mais, a preguiça.  Porque é preciso fazer o que tu decidiste fazer, mas com o «eu não me importo», não há nada de sério.  O «eu não me importo» não te impede de fazer o que tu queres fazer mas torna-o mais maleável, mais óbvio, e aqui não haverá mais nenhuma invasão da cena de teatro pelo observador.

Eu uso voluntariamente imagens muito simples para não vos levar mais ao que podia parecer importante há cinco anos atrás.  Mas não estamos mais nos conceitos, ou na imagem, na metáfora, como fazia o Cristo, é bem mais importante e impactante para o Espírito.  Isso permite desviar, atravessar o que está na frente do palco, o que também evita que vocês agarrem conceitos e que guardem a imagem.  Então, esta imagem não é uma imagem e não é um conceito, não é qualquer coisa que tenha sido vista, eu diria que é qualquer coisa que fala, talvez não à pessoa, e esse não é o meu objetivo, nem o vosso, mas que fala ao santo dos santos.  É isso que cria o reencontro, que o recria, que o instala. 


Quem fala?

Questão:  Eu realmente não tenho questões mas eu tenho uma curiosidade a adicionar.  Eu sou, pelo menos este corpo é “synesthète”...


Como?


Questão: “synesthète”

Isso quer dizer ser estético de uma forma particular ?


Questão:  Não.  As minhas perceções passam pelas cores, pelas sensações, pelos gostos.  É, por vezes, um pouco invasivo.  O que me pode dizer sobre isto e obrigado pelo esclarecimento geral.

Então, primeiro, eu gostaria de compreender.  Quando tu pensas, quando tu queres alguma coisa, quando tu escutas música, há cores?


Questão: Sim.

Mas então, felizes os simples de espírito, isso quer dizer que não existem mais conceitos.


Questão:  Isso pode sobrecarregar um pouco a tela mental.

Mas o mental não é uma cor.  Ou então não compreendi nada.  Mas se, quando tu falas de cores, aparecem…


Questão:  Sim.

Portanto, se não existem mais conceitos e são as cores que aparecem e que são vistas, o que te incomoda é o quê?


Questão:  Que isso possa impedir-me de refletir ou de participar na vida quotidiana. 

Portanto, eu resumo.  Alguém te fala e tu vês isso em cores.


Questão:  Sim.

Se tu respondes tu vês outras cores.


Questão:  Sim.

E o que é que te incomoda?  Há muitas cores?


Questão:  Se for muito complicado as cores assumem todo o sentido.

Mas as cores são o sentido (significado).  Classifica apenas as tuas cores, como quando há conceitos e ideias, eles são montados, arrumados, ordenados.  No que tu expressas, se eu entendi bem, o mecanismo do pensamento não é feito de conceitos, de ideias, mas faz-se através das cores.


Questão:  Sim.

Portanto, o que perturba não são as cores mas a sobreposição ou o excesso de cores.  É isso?


Questão: Sim.

Tu tens a possibilidade de agir sobre o que é visto, ou não?


Questão:  Acho que não.

Uma cor que aparece de acordo com uma palavra que tu dás ou que tu recebes, tu podes organizá-la, ou não?  Parece-te poder estar ativa no que é visto, sobre essas cores, essas transparências que se encaixam e que se colocam em lugares diferentes? Porque é espacial?


Questão:  Sim.

Bem, o que é que te impede de repartir o espaço?


Questão:  Eu não o sei fazer.

Mas tu só pensaste em fazê-lo?  Olha, as cores claras transparentes estão em cima, as cores escuras estão em baixo.  As diferenças de tom vão do mais claro para o mais escuro, entre a esquerda e a direita.  Está resolvido.


Questão:  Isso parece-me ainda mais complexo.

Em quê é que é mais complexo, é em 3D?


Questão:  Sim, também.

Bem, então, há um à frente e um atrás.  As cores que estão ligadas portanto, se eu compreendi, à tua perceção e ao teu funcionamento, quer isso seja para uma música, qualquer coisa que tu emitas ou qualquer coisa que tu recebas, e tu tens a impressão que está desordenado, que está sobrecarregado.  O que cria isso?  O que é que te impede de decidir arrumar essas cores?  Tu já tentaste, apenas?  Porque o que tu vives é anterior ao pensamento, é, eu diria, o mundo dos arquétipos.

Essas cores não são projeções como nas visões, astrais ou outras, são o mesmo o fundamento do pensamento.  Falta simplesmente uma arrumação.   E não me digas que é complicado uma vez que nunca o fizeste.  Eu vou dar um exemplo muito simples.  Se, por exemplo, tu pegares nos números de 1 a 10. Eu imagino que o 1 tem uma cor e o dez tem outra cor.  Ou o 3, se tu quiseres.  Bem, quando tu dizes 3+3=6, o que é que acontece em ti?


Questão:  É complicado resumir.

Mas não é resumível porque isso acontece no espírito e na verdade.  O único problema, em relação a isso, que é um dom, porque vem de ti, tu não estás poluída pelos conceitos, pelas crenças, tu estás livre em relação a isso porque são cores.  Mas precisas de arrumar essas cores, mesmo que existam sobreposições, o que deve ser o caso, ou seja, uma cor vista à transparência através de outra cor.  Isso parece-te complicado porque tu nunca arrumaste.  A arrumação é uma convenção, és tu que decides fazer grupos, conjuntos.  Por exemplo, os dias da semana estão em cima à direita, os números estão em baixo à esquerda. À frente dos números está a máquina de calcular que vão pegar nas cores e passá-las por um filtro de cor que corresponde a outra, cujo resultado é uma outra cor.

Isto quer dizer, isto que eu te digo, quer isso seja para as notas de música, as matemáticas, para não importa o quê, o que parece incomodar-te é um privilégio, simplesmente tu não entendeste que isso deve ser arrumado.  Os conceitos encaixam-se a si mesmos na cabeça através da química, da eletricidade, antes de estarem presentes na consciência.  Os encaixes nos conceitos fazem-se por si próprios.  A sorte que tu tens é que te basta encontrar um meio de classificar, e tu tens a inteira liberdade para classificar isso como tu quiseres.  Então, tu vais perceber que não uma cor mas um conjunto de cores, de localização e de transparência, correspondem sempre à mesma coisa, tu podes confirmar isso?  Quando tu pronuncias o nome de alguém, são sempre as mesmas cores?


Questão:  Sim.

Estamos de acordo.  Bem, é a mesma coisa, nunca há excesso de cores, simplesmente elas não estão arrumadas e organizadas, e isso és tu que decides, não são os teus neurónios.


Questão:  Não me quer ajudar?

Mas classifica por ti mesma.  Quando tu organizas os teus medicamentos, tu podes fazê-lo por ordem alfabética, por cor, por conteúdo ou pelo que tu quiseres.  O importante, é encontrares-te.  Tu não te podes encontrar com a impressão da saturação, porque tu não sabes tratar essas cores, tu deixa-las aparecer e desaparecer segundo o que é dito, entendido, cantado, memorizado, sem sistema de classificação, portanto, efetivamente isso pode ser incómodo. Não é complicado.  A partir do momento em que existe uma representação de conceitos, de ideias, de palavras, de notas, dessa forma, é extremamente fácil organizar isso.  Tu não tens que passar por isso, tu tens que o usar.  É como se, como na escola, tu tivesses uma pequena calculadora, e aqui deram-te uma super calculadora e tu procuras servir-te da calculadora. 

Arruma as tuas cores, não te posso dizer melhor.  Deixa os arranjos, não ao improviso de acordo com as palavras que fluem, mas a partir do instante em que uma cor chega, ou uma transparência de cor chega, arruma-a.  Ela não pode desaparecer, tu sabes, uma vez que o mesmo nome te dá todos os dias a mesma cor, a mesma peça de música te dará sempre o mesmo conjunto de cores.

Este funcionamento do pensamento ou dos sentidos são uma vantagem.  De momento tu só tens os inconvenientes, ou seja, a impressão de ser ultrapassado por uma sobrecarga.  Cabe a ti definir o espaço e o tempo, que também são percebidos desta forma, decidir que tal grupo de cores está aqui, ou à frente ou atrás, se tu falas em 3D, e tu constatarás então que tu não terás necessidade de esperar ou de ver as cores, mas que tu própria criarás.  Tu irás procurar naturalmente, sem procurar, tal grupo ou tal outro grupo, tal conjunto ou tal outro conjunto.

Entende que, quando alguém fala de conceitos ou de ideias é incapaz de as localizar, por cores, na sua cabeça. O processamento dos dados, o processamento da informação, passam por uma programação no sentido informático, mas se tu deixares as coisas fazerem-se por si mesmas, efetivamente fica saturado muito rapidamente.  Os conceitos arrumam-se por si mesmos.  O que tu vês na vez dos conceitos, dá um processamento de informação, é o exemplo que eu dei, o pensamento é uma calculadora, as cores são uma super calculadora.  Não é um defeito mas isso precisa de uma organização temporária, espacial e de transparência.  Prepara-te para isso e tu não poderás mais ser incomodada.  Tu saberás mesmo juntar as ideias, os pensamentos, as músicas ou o que quer que seja, em função da harmonia, e tu saberás onde estão as diferentes transparências, as diferentes cores e, eventualmente, as diferentes formas.  Porque tu tiveste que entender que as formas podem ser como manchas quase redondas, mas nem sempre.

Eu compreendo completamente o que tu queres dizer, porque eu fui confrontado com isso, e é precisamente uma liberdade, não um obstáculo.  A partir do instante, se tu puderes arrumar até mesmo os números, tu serás um grande matemático, se tu souberes arrumar as notas, tu serás um grande músico. 


Questão:  Eu não sei se terei tempo de arrumar tudo antes do fim.

Mas a arrumação faz-se sozinha a partir do instante em que tiveres dado a injunção do tipo de arrumação.  É instantânea.  Tu não tens que te ocupar com a colocação das cores em tal ou tal lugar, as formas ou a transparência de tal maneira ou de uma outra. Tu decides, como quando tu tens as gavetas de farmácia.  Tu decides que ali tu colocas as compressas, que ali tu colocas os medicamentos, que ali tu colocas os líquidos.  É exatamente a mesma coisa, depois disso faz-se sozinho, ou seja, a arrumação vai fazer-se sozinha desde que tu tenhas dado um quadro de arrumação.


Questão:  Eu vou tentar.  Obrigado.

Também estou admirado por tu não teres pensado nisto sozinha.  Quando há confusão em casa, tu arrumas.  Quando tu encontras mais objetos, porque há muitos, é preciso colocar as coisas em ordem.  Aqui, por em ordem não é dirigir cada pensamento, cada palavra, cada número, é propor uma referência, e eles vão arrumar-se sozinhos.  E assim que tu pensares em resolver uma equação ou em fazer uma peça de música, tu decides uma tonalidade de cor e uma certa ordem de transparência e as cores chegam sozinhas.  Tu invertes o sentido da perceção e nesse momento a peça de música é criada.  Como achas que funcionaram os maiores compositores, os maiores matemáticos, os maiores pensadores?

O que te incomoda, tu descreves perfeitamente, é a impressão de  estar sobrecarregada, que é um pouco caótico.  Este modo de perceção é o mais adequado quando não há mais cérebro nas outras dimensões.  É exatamente o que acontece não no cérebro  mas na impressão.  Simplesmente a arrumação, a ordem, tu própria deves determiná-lo, sem isso as coisas chegam-te, tu saturas muito rapidamente, quer isso seja ao nível dos conceitos, das ideias e dos sons, e tu perdes as coisas porque elas não estão classificadas.  Mas não há esforço para classificar de cada vez; tu deves dar as regras de organização da classificação, a classificação faz-se depois, sozinha, mas não como ela quer, de acordo com as regras.  Tenta isso.


Questão:  Eu vou tentar, mas mesmo assim eu duvido de mim mesma.

Mas enquanto isso for uma bagunça e não for arrumado, tu só poderás duvidar.  Põe ordem nessas cores, nessas transparências, nessas formas, sem as mover mas dando uma regra de organização.  Tu decides de uma vez por todas, e as caixas são infinitas.  A repartição espacial quando ela é vista, dá-te inumeráveis possibilidades, elas são ilimitadas e nunca estão saturadas e nunca estão condicionadas, mas és tu quem deve determinar a classificação.  Eu especifico sem saber o nome que tu usaste, esthéte não sei quê.


Questão:  Sinestete.  Sinestesia.

Bom, pouco importa, é suficiente arrumar e és tu que decides.  Tu deixaste as cores colocarem-se como elas queriam, estamos de acordo.


Questão:  Sim.

Então, arruma a tua cabeça, isso será muito melhor.


Questão:  Obrigado, mais uma vez.

Eu penso que aqueles que escutam não compreenderam nada.  Para a maior parte de nós, quando nós temos uma ideia, um pensamento, um conceito, de onde vêm eles? Certamente nós pensamos em primeiro lugar que eles são secretados pelo cérebro, mas isso são só arranjos que se situam no que é nomeado o corpo mental ou a aura mental, os dois, que quando se destacam, aparecem sob a forma de conceitos.  Para esta pessoa tudo está colorido com formas, com espaços particulares.  É preciso arrumar, mais do que arrumar o exterior.  Tu não tens que arrumar uma vez que tu determinaste a ordem da arrumação.  Tu constatarás imediatamente que se tu decidires que em cima, no primeiro plano a esquerda, está o vermelho, que o violeta, quaisquer que sejam as tonalidades, tudo o que for da ordem do violeta vai estar em último plano à direita. Mas depois quando as pessoas forem falar e as cores chegarem, ou se tu escutares a música, elas vão arrumar-se sozinhas, as tuas cores, mas não ficam à solta.  Não há outra maneira.

É como se tu deixasses, para aquele que tem ideias e pensamentos, como se tu aceitasses todos os pensamentos que passam e que hajam cinquenta de cada vez.  É incompreensível.  Então, aquilo que de momento te parece  incómodo vem somente da não classificação, da não arrumação.  Mas a arrumação, tu não a vais fazer de cada vez, tu sabes muito bem, há milhares de cores que passam numa frase, dezenas digamos, centenas por vezes, na música; mas assim que tu tiveres criado a primeira arrumação, o primeiro arranjo, tudo o resto vai arrumar-se de acordo com o mesmo referencial temporal, espacial e de transparência.  Não pode ser de outra forma porque isso funciona realmente assim.

É um processo que é o processo do pensamento ou da perceção, mas a chance que tu tens é que, desde que haja arrumação, as capacidades memoriais, intelectuais, de criatividade aumentam dez vezes (decuplicam).  E além disso, eu suponho, e tu vais responder-me, nas experiências ou estados interiores, quer seja multidimensional, encontrar um povo da natureza ou um habitante de um dado sistema, é também qualquer coisa que é vista  na tua tela interior, mas aqui não há cor.  Podes responder?


Questão:  Sim, visto que não há cérebro.

Exatamente.  Portanto, o ser que tu vais perceber ou a forma invisível para os olhos da carne, quando tu a vês, ela não está acompanhada de cores.  O que te prova que este conjunto de cores não é uma quimera, mesmo que seja próprio de cada um, mas ele traduz o vibral, ele traduz o que se traduz no seio da Luz vibral autêntica.  Falta apenas este elemento.  Mas eu não sei qual é a tua idade, mas eu estou surpreendido que tu não tenhas pensado nisso quando eras jovem.


Questão:  Só me dei conta disso há pouco tempo.

De quê?


Questão:  Que eu funcionava assim.

Tu queres dizer o quê com isso?  Que apareceu recentemente?


Questão:  Não, digamos que era inconsciente.

Ou seja, de alguma maneira tu não o querias ver porque isso te incomodava no teu funcionamento normal.


Questão:  Sim.

Estamos de acordo, então, arruma-me isso tudo, organiza-o como tu desejares, pouco importa, o que te parecer o mais adequado, e tu verás os resultados muito, muito rapidamente.


Questão:  Obrigado.  Eu também tenho uma questão mais geral.

Bem, isto que eu respondi é bastante geral, isto vai mudar a tua vida.

Entende que, aquele que não tem estas cores, espontaneamente, aqui eu não falo de visão ou de terceiro olho, quando ele vai ver as dimensões, quando ele encontra outros seres, ele será muito menos preciso que tu.  Por exemplo uma entidade vai ser vista numa forma mutável com contornos, enquanto tu a vês precisamente.  Tu podes analisar os detalhes, não?


Questão:  Sim.

Ai está.  Portanto, o que se passa no teu cérebro, na tua consciência, é um cérebro que não está falsificado, ele é livre dos condicionamentos, mas é preciso arrumar.  E mais uma vez, a arrumação é totalmente livre, tu organizas como tu queres, mas é preciso criar.  O que eu quero dizer com isto, e está efetivamente inadaptado a este mundo, é que o teu cérebro funciona como se ele já estivesse ausente mas como se a tua consciência estivesse multidimensional, o que explicado o que tu dizias, que o que é visão, perceção, experiência, do que não é visível neste mundo, é muito mais fino e preciso, e tu confirmas-te-o.  Por contrário, Isso torna-se confuso aqui.


Quem quer falar?



Questão: Eu quero testemunhar que tudo o que disse a cada um ressoou em mim, nesta história terrestre e no que pode chegar no quotidiano. Dito isto, na Alegria e na Liberdade, na leveza do quotidiano, eu deixo a Vida viver-se e eu não tenho a perguntar relativamente a isso, somente estar aqui, neste instante, no Acolhimento do que está aqui.

A última vez que eu vim, eu terminei com uma frase humorística:  «todos por um, um por todos».  Evidentemente que cada um de vós, mesmo que não seja a sua história, e esse foi o caso no que foi transcrito do que eu disse quando eu estava incarnado, toda a gente encontra sapato para o seu pé, mesmo o que pode parecer não te corresponder é esclarecedor.  E isso tu testemunhas.  É nesse sentido que, de maneira muito lógica, eu sempre disse que as minhas palavras não podiam falhar porque elas não se inscreviam em nenhum quadro de referência, em nenhum dogma, em nenhuma cultura, em nenhuma tradição, é uma palavra libertada de todo o conceito.

Mas eu agradeço-te, é efetivamente assim que isso funciona.  Mesmo o que eu acabo de dizer sobre o esteta não sei quê, vai encontrar um espaço em cada um de vós, mesmo que vocês não tenham este modo de perceção.  Eu cortei-te?


Questão:  Não, eu acolhia-o mesmo no nosso Coração Um, no que aqui está.

Outros dizeres, outros testemunhos, outras perguntas?


Questão:  Eu coloquei-lhe uma questão ontem, dizendo que eu queria juntar-me a si.

Eu não estive cá ontem.


Questão:  Antes de ontem.  Eu não tive a impressão de ter tido a totalidade da minha resposta, mesmo sabendo muito bem que é a pessoa que a coloca.

E?


Questão: E eu queria ter um complemento de informação.

Eu ia dizer que tu não terás um complemento.  Não é informação o que eu entrego.  As minhas palavras não podem falhar.  Se não for no instante, será no instante seguinte.  E como foi expressado pouco antes, cada um pode encontrar-se em todas as respostas, mesmo que não vos digam respeito, porque eu não me dirijo a uma diversidade de pessoas, eu dirijo-me à testemunha, e a testemunha é UM.  Há um único espetador, uma única testemunha, mesmo que a sala esteja cheia de espetadores.

Portanto, Não há necessidade de complemento.  Agora é preciso, como tu disseste, que o que eu te disse antes de ontem façam o seu trabalho, a sua alquimia.  Não é o mental, não são os conceitos, é qualquer coisa que toca, não a aparência.  Então, eu não me importo que tenhas compreendido ou não. Deixa trabalhar, como nos disse a irmã antes.  A partir do instante em que vos parecer não ter compreendido, não ter apreendido, isso quer dizer que vocês pararam, vocês não deixaram penetrar.  As palavras que eu pronunciei há quarenta anos tem um impacto hoje e, no entanto, aqueles a que eu me dirigia já não estão aqui, eu não mais.  Não estejam com pressa, deixem o tempo, a ilusão do tempo, fazer o seu trabalho.

Estamos todos tão habituados a isso, quer seja pelas palavras, quer seja pela energia, a sentir de imediato, a fazer um comentário de imediato. Como querem vocês que o que eu vos disse através da pessoa e através do tempo, eu disse-vos, faça o seu trabalho se vocês se agarram a isso.  O importante não é compreender, a compreensão vem depois, o mais importante é o que é vivido no momento.  Nós tivemos diversos testemunhos.  A compreensão não deve ser anterior à experiência mas consecutiva à experiência.  Vivam o que vos digo, não se preocupem em compreendê-lo.  Porque quando vocês estão no ato de compreender isso quer dizer que vocês refletem, que vocês vão relacionar as minhas palavras, ou quaisquer palavras, de qualquer maneira, com a vossa lógica, a vossa história, a vossa necessidade de juntar as ideias.

Aqui também, deixem as coisas fazerem-se.  O que não compreendem hoje, será compreendido, não se preocupem com isso.  Se vocês soubessem, quando eu estava incarnado, e mesmo quando eu vim pela primeira vez, o  número de irmãos e de irmãs que se salvaram.  É semelhante na minha incarnação, todos os que estavam na certeza da sua espiritualidade, partiram.  As minhas palavras não necessitam de uma compreensão mas de um acolhimento incondicional, como eu vos acolho incondicionalmente.  O resto segue, e geralmente, agora, muito depressa, mas se vocês se apontarem, de imediato serão obrigados a fazer meia volta.

Eu não me dirijo aos vossos conceitos, os vossos conceitos não me interessam, só a vossa experiência é significativa.  E para viver alguma coisa não há necessidade de conceitos, isso tem necessidade de ser vivido no acolhimento total.  Se vocês colocam, e é igual para qualquer discussão entre dois seres humanos, vocês estão e nós estamos todos constantemente a tentar saber o que vamos responder em vez de acolher a totalidade do que o outro diz, não nas palavras pronunciadas mas neste mesmo princípio do Acolhimento. Não coloquem o mental à frente, a compreensão à frente, esse é o divisor, é o diabo. O diabo não está em lugar nenhum senão na cabeça.  Se vocês quiserem compreender, vocês não o podem viver, é simples.

É o mesmo nas vossas experiências ou nos vossos estados místicos. Vocês sabem bem que se o mental interfere, de uma forma ou de outra, isso cessa imediatamente a experiência.  Da mesma forma que nos sonhos vocês têm medos que vos acordam, ou quedas, ou acontecimentos que vos acordam, isso para o sonho. Vocês não podem viver e compreender ao mesmo tempo, sobretudo no que diz respeito ao que vocês são.

A compreensão, no sentido que nós o entendemos, é posterior, ela não está antes. Acolher não é compreender, não é agarrar-se, não é apropriar-se, é estar numa disposição que nós nomeámos o Acolhimento, que permite não só encontrar-se mas também compreender o outro para além das palavras, para além dos conceitos, a fim de ver que é o mesmo coração, que não há pessoa. Servem-se do compreender para conduzir um automóvel, do compreender para saber fazer um trabalho.  Aqui é preciso compreender mas não para aquilo que vocês são.  É o diabo que compreende e, além disso, ele manipula a compreensão, muda-a, vira-a.

Estejam disponíveis, não para compreender mas para entender.  Mesmo se vocês não escutam, mesmo se vocês não compreendem nada, qualquer coisa que está aqui, no Coração do Coração, no santo dos santos, ele ouve e compreende.  Dê-lhe tempo de se manifestar, não interfira com a necessidade de compreender, a necessidade de explicar.  A experiência não tem necessidade de ser compreendida, a prática deste mundo, sim.  Tudo deve ser calculado, pesado, organizado, e é lógico, mas não para o que vocês são, não no Coração do Coração.


Outras coisas para dizer?


Uma última questão antes do fim do tempo estipulado.

Questão: Há dois dias disse-me que estava em mim e que eu estava em si. Mas esta manhã, ao passear na natureza, subitamente todos os irmãos e irmãs aqui presentes se encontraram no meu coração. O meu coração é todo ouvidos para si, se tiver alguma coisa para me responder.

Isso são tudo palavras, a Verdade não precisa de palavras.  Nós estamos efetivamente uns nos outros, mesmo no que vós nomeiam as espécies de coisas verdes, aqui, os Arcontes.  É a mesma coisa, eles também estão em cada um de nós.  Quando nós vos dizemos que vocês são o Todo e que vocês são tudo, é a pura verdade.  Eu não vos peço que acreditem nisso como um conceito, nem mesmo que o aceitem como qualquer coisa, mas que o vivam.  Foi isto que aconteceu.

O problema, quando nós estamos nesse saco de carne, aos três anos, quatro anos, nós somos nomeados, atribuem-nos um nome, uma identidade, aos olhos dos outros e especialmente dos pais.  Em seguida comparamos, fazemos estudos, vamos à escola. Mas percebam, a formação, a educação, são apenas uma formatação na Ilusão.  Se disséssemos a uma criança de três anos que ela é Amor antes de ser uma pessoa, que ela tanto é o seu pai como a sua mãe mas que ela não é um indivíduo que nós apreciamos por fora, bem, simplesmente não haveria mais confinamento. Quer seja Hercobulus ou as naves de lata, eles não poderiam ter criado isso.  Mais o peso dos hábitos.  Não acreditem no que eu vos digo, vivam-no e provem-no, não em conceito.  Foi o que aconteceu no que tu experimentaste.

Mas por isso é preciso esvaziarem-se, não se suprimirem mas esvaziarem-se das ideias de serem uma pessoa, uma história, um corpo, que eu ainda sei. Vocês identificam o veículo com a Verdade e, no entanto, hoje, cada vez mais se colocam espontaneamente no observador.  Então, claro, vocês podem estar tão cativados do jogo, pela cena do teatro, mas vocês sabem muito bem que vocês não são o ator que representa quando vocês saem do teatro.  É, portanto, o ponto de vista incutido pelos pais e a educação que impedem a Verdade.  E isto, isto repete-se o tempo todo, independentemente do elemento causal.  O problema é a identificação com o corpo, passei a minha vida a dizer isto.  Vocês não são este corpo, vocês estão dentro, presos, mas vocês não vão levar este corpo ou qualquer história.


Eu acho que respondi à última questão.  Haverá outras?


Questão:  Sim.

Então, eu deixo-vos «pausar» e Bidi diz-vos até muito em breve.


* * *

Tradução: Cristina Marques



PDF (Link para download) : BIDI – PARTE 6 – Q-R – Outubro de 2017

2 comentários:

  1. Não projetes nada sobre o que poderá ser essa Alegria porque ela não corresponde a nada de conhecido.
    .........
    Deixa correr o que acontece, não pares nada.
    .........
    Resumindo, não serve para nada amontoar, classificar, organizar, mas estar sempre vazio, novo e pronto para o instante presente.
    .........
    O que tu és não és tu. Eu direi mesmo que não tem nada a ver contigo.
    .........
    Não coloquem o mental à frente, a compreensão à frente, esse é o divisor, é o diabo. O diabo não está em lugar nenhum senão na cabeça. Se vocês quiserem compreender, vocês não o podem viver, é simples.
    .........
    Vocês não podem viver e compreender ao mesmo tempo, sobretudo no que diz respeito ao que vocês são.
    .........
    Mas por isso é preciso esvaziarem-se, não se suprimirem mas esvaziarem-se das ideias de serem uma pessoa, uma história, um corpo, que eu ainda sei.

    ResponderExcluir
  2. Estejam disponíveis, não para compreender mas para entender. Mesmo se vocês não escutam, mesmo se vocês não compreendem nada, qualquer coisa que está aqui, no Coração do Coração, no santo dos santos, ele ouve e compreende. Dê-lhe tempo de se manifestar, não interfira com a necessidade de compreender, a necessidade de explicar. A experiência não tem necessidade de ser compreendida, a prática deste mundo, sim.
    O problema é a identificação com o corpo
    Vocês não são este corpo, vocês estão dentro, presos, mas vocês não vão levar este corpo ou qualquer história.
    Grato Cristina
    Do meu coração ao coração de todos

    ResponderExcluir